Tsipras toma posse como primeiro-ministro

By | 27/01/2015

Atenas. Alexis Tsipras tomou posse, ontem, como primeiro-ministro da Grécia após a vitória nas eleições legislativas do último domingo (25) do seu partido, o Syriza, que acordou uma aliança com os nacionalistas Gregos Independentes.

O novo primeiro-ministro, que deve anunciar amanhã a composição de seu governo, prestou juramento perante o chefe de Estado grego, Karolos Papoulias. "Senhor presidente, juro que aplicarei a Constituição e as leis e que trabalharei sempre pelo interesse geral do povo grego", disse.

Tsipras e Papoulias assinaram o decreto de nomeação e, em seguida, o líder do Syriza saiu da sala saudando os repórteres de imagem com a mão sobre o coração.

Antes, Tsipras disse ter se reunido com o líder dos Gregos Independentes, Panos Kammenos, que lhe assegurou que o partido "dará voto de confiança ao governo". "A maioria absoluta requerida existe", disse ele, acrescentando esperar que essa maioria se amplie "ainda mais" na votação da equipe governamental.

O Syriza conquistou 36,34% dos votos nas eleições gerais de domingo, ganhando 149 lugares no parlamento, dois a menos que o necessário para a maioria absoluta. Os gregos independentes obtiveram 4,75% dos votos, elegendo 13 deputados.

Juramento

A aliança, fechada ontem, tem sido descrita por analistas como peculiar, dado que os dois partidos apenas partilham a oposição à "troika" de credores (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), os quais acusam de ter provocado uma crise humanitária no país europeu.

Tsipras, 40 anos, quebrou a tradição destas cerimônias ao prestar juramento sem gravata, como habitualmente se apresenta, e não prestar juramento religioso perante o líder da Igreja Ortodoxa grega, antes de se apresentar ao presidente.

O líder do Syriza fez, no entanto, uma visita ao arcebispo para lhe comunicar pessoalmente que não prestaria o juramento, mas que "as relações entre a Igreja e o Estado serão mais importantes que no passado", salientando "o papel muito importante da Igreja" no que diz respeito à solidariedade.

Compromissos

Em decorrência da posse de Tsipras, o presidente francês François Hollande afirmou, ontem, que a Grécia deve respeitar os compromissos assumidos sobre a sua dívida com os credores.

Com as demandas de reestruturação da dívida grega formuladas pelo novo primeiro-ministro, Hollande evocou "dois princípios", a solidariedade e a responsabilidade, e lembrou que as autoridades de Atenas "assumiram compromissos e esses devem ser respeitados".

Dívidas

O Fundo Monetário Internacional informou que continua apoiando a Grécia após as eleições legislativas do último domingo. "Estamos dispostos a continuar apoiando a Grécia e esperamos as negociações com o novo governo", disse Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, em comunicado.

Contrário aos planos de austeridade impostos principalmente pelo Fundo, o Syriza defende a reestruturação da dívida do país, postura que foi duramente criticada pelos europeus.

O FMI, que em 2010 concordou em emprestar à Grécia 31 bilhões de euros em troca de drásticas reformas econômicas – no maior plano de ajuda de sua história -, é um dos principais credores de Atenas. A dívida ultrapassava os 25 bilhões de euros de 2014.

Europa teme nova crise financeira após vitória

Atenas. A vitória decisiva do partido de Tsipras, o Syriza, na eleição antecipada de domingo renovou os temores de novas dificuldades financeiras no país que deu início à crise regional de 2009. Também é a primeira vez que um dos 19 membros da zona do euro será governado por partidos que rejeitam a austeridade defendida pela Alemanha de Angela Merkel.

O sucesso de Tsipras deve fortalecer as legendas europeias periféricas, inclusive outros movimentos antiausteridade em todo o sul da região, ainda em dificuldades econômicas. O resultado contra os conservadores representa a derrota do meio termo na política do continente, que se perdeu num debate de crescimento versus disciplina orçamentária durante cinco anos enquanto os eleitores sofriam.

Ao confirmar sua vitória, Tsipras anunciou a intenção de negociar com os credores do país "uma nova solução viável, que beneficie a todos". Mas a União Europeia já demonstrou firmeza contra essa postura, alertando que sua permanência na zona do euro está sujeita ao cumprimento de seus compromissos.

Da chanceler Angela Merkel ao presidente do Eurogrupo, Jeoren Dijsselbloem, defensores da austeridade pediram que a Grécia respeite compromissos, tanto no que se refere à dívida como às reformas, se quiser que seus sócios sejam flexíveis.

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