Sindicalistas protestam contra medidas do governo

By | 29/01/2015

Quase 2 mil pessoas, nas estimativas da Polícia Militar de São Paulo, participaram de protesto na manhã desta quarta-feira (28/01) no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) contra as medidas provisórias que alteraram regras para o acesso de benefícios trabalhistas, como seguro-desemprego, pensões e abono salarial.

O ato foi organizado por seis centrais sindicais: CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CSB. Elas pedem a revogação das duas MPs editadas no final do ano passado pela presidente Dilma Rousseff, que, segundo os sindicalistas, diminuem direitos dos trabalhadores.

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força Sindical, que também é presidente do partido Solidariedade, disse que hoje se inicia uma mobilização nacional para enfrentar o que ele chamou de "pacote de maldades". Ele também criticou o discurso feito por Dilma ontem, na reunião ministerial, no qual ela defendeu as medidas adotadas por sua equipe econômica. Para Paulinho, ao dizer que os direitos trabalhistas estão sendo preservados, a presidente "ou está doida ou acha que só tem idiota do lado de cá".

"Vamos derrotar a presidente Dilma na eleição da Mesa (Diretora da Câmara) e neste maldito pacote de maldades", afirmou o parlamentar.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que a presidente Dilma, ao adotar as medidas, foi contra o discurso encampado em sua própria campanha, quando prometeu que não mexeria em direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa." "Ela enganou os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e fez propaganda enganosa." Torres afirmou que a entidade vai ingressar com medidas judiciais contra as duas MPs, alegando que elas mexem em direitos adquiridos pelos trabalhadores.

Já para Luiz Carlos Mota, presidente da UGT de São Paulo, o pacote prejudica os trabalhadores principalmente ao exigir uma carência maior para o acesso ao seguro-desemprego. "Por que não se mexe na reforma tributária? Por que só os trabalhadores estão pagando a conta?", questionou.

O mote adotado por Dilma foi adaptado e virou arma para os sindicalistas contra Dilma, que entoam palavras de ordem como "a Dilma mentiu, a vaca tossiu".

Brasília
Um grupo de manifestantes da Força Sindical e da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) bloqueou a rua principal de acesso ao Ministério da Fazenda, em Brasília. Eles também protestam contra as recentes medidas adotadas pelo governo de ajuste fiscal. Criticam os aumentos de tributos como o IOF e a volta da Cide, o imposto sobre os combustíveis, além do aperto em benefícios trabalhistas e previdenciários.

Com alto-falante, pedem que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, abra sua agenda e receba os trabalhadoras para conversar sobre as medidas enviadas ao Congresso Nacional. Criticam também a ida ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, e também pedem a renegociação da dívida pública. Defendem a garantia do direito dos trabalhadores. A manifestação é pacífica.

Em Porto Alegre, centenas de pessoas se reuniram no local para protestar contra as alterações das regras trabalhistas. 

Na metade da manhã, a concentração de manifestantes chegou a bloquear duas faixas da Avenida Mauá, na região central de Porto Alegre. A mobilização também causou transtornos aos motoristas e pedestres que circulavam por outras vias centrais, como a Avenida da Legalidade e a Farrapos. No fim da manhã, o trânsito já estava liberado.

 

 

Revista Época Negócios