Shoppings faturam 10,1% a mais em 2014

By | 27/01/2015
Shopping Pátio Higienópolis (Foto: Divulgação)

As vendas do setor de shopping centers atingiram R$ 142,27 bilhões em 2014, o que representa um crescimento de 10,1% em relação a 2013, de acordo com dados publicados nesta terça-feira (27/01) pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O resultado ficou acima do verificado na comparação de 2013 com 2012, quando a expansão das vendas foi de 8,6%.
"Tivemos um 2014 com menos dias úteis, incertezas na política e muitos desafios na economia. Apesar disso, mostramos resiliência no crescimento", afirmou o presidente da associação, Glauco Humai.

Para 2015, porém, a expectativa é de um ano marcado por dificuldades macroeconômicas, como pressão inflacionária e crédito mais caro. Com isso, a associação estima elevação de 8,5% no faturamento deste ano em relação a 2014. "Nós prevemos que 2015 será um ano difícil, mas acreditamos que haverá um crescimento razoável. Os ajustes na economia estão sendo feitos", disse Humai.

Número de shoppings no interior supera o das capitais
O ano de 2014 teve a inauguração de 24 shopping centers, totalizando 520 empreendimentos no país. A área bruta locável (ABL) atingiu 13,845 milhões de metros quadrados, 7,0% a mais do que no ano anterior. O número de lojas aumentou 10,4%, para 9.242 unidades. Foi o primeiro ano em que os shoppings no interior se tornaram mais numerosos do que nas capitais. Do total de 520 empreendimentos, 256 estão nas capitais (49%) e 264 no interior (51%). Das 26 inaugurações previstas para 2015, 15 serão no interior e 11 nas capitais, mostrando uma tendência de aumento da participação das cidades do interior.

Para 2015, a previsão da Abrasce é de abertura de 26 empreendimentos. Boa parte do número deste ano será formado por shoppings inicialmente programados para abrirem as portas em 2014. No ano passado, a associação estimava a abertura de 43 empreendimentos, mas apenas metade disso se concretizou.

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, ponderou que não há crise no setor, e atribuiu os adiamentos ao momento menos favorável da economia brasileira, que geram receio entre empreendedores e lojistas. Além disso, questões como licenciamento junto a órgãos públicos dos projetos e falta de mão de obra e de fornecedores também provocaram adiamentos, segundo Humai.

"É muito comum no setor que algumas inaugurações fiquem para o ano seguinte", disse o executivo. "A economia não está tão bem. Todo mundo fica receoso. E tem também a questão de licenças. São problemas estruturais que existem em todos os setores e se somam ao momento de incerteza da economia", explicou.

A Abrasce prevê ainda que o investimento em 2015 alcançará R$ 16,5 bilhões em 2015, dos quais R$ 4,9 bilhões para expansões de shoppings já em funcionamento e R$ 11,5 bilhões para a construção de novos empreendimentos.

Vacância de shoppings ficará dentro da média histórica
A Abrasce estima que a vacância do setor gire em torno de 3,0% a 3,5% ao longo de 2015, patamar em linha com sua média histórica. Em dezembro de 2014, a vacância estava em 2,8%, mesmo número do fim de 2013.

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, disse que, em alguns meses de 2014, a vacância chegou a 3,5%, um dado considerado normal pelo executivo, pois está dentro da média do segmento. "Muitos empreendimentos abrem as portas com uma taxa de vacância maior, porque não têm lojistas ou porque aqueles lojistas que já fecharam contrato de locação ainda não ocuparam os espaços", explicou, acrescentando que os shoppings inaugurados recentemente estão aumentando gradualmente os níveis de ocupação. "Achar lojistas hoje é mais difícil do que nos momentos de pleno crescimento econômico, mas essa tarefa não está tão difícil", completou.

A superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, disse acreditar que há espaço para aumento nos valores dos contratos de locação acima da inflação neste ano, tendo em vista a perspectiva de elevação do faturamento do setor. "O que manda é o nível das vendas. Acho que a expectativa de aumento de 8,5% nas vendas comporta aumento real nos valores de locação", afirmou.

Revista Época Negócios