Sete projetos no Pecém miram os ingleses

By | 09/02/2015

O desejo de construir uma refinaria em solo cearense não arrefece e pode tomar novos rumos nos próximos dias. É o que afirma o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Cláudio Pinho. De acordo com ele, há uma expectativa de se reunir ainda nesta semana com o governador do Estado, Camilo Santana. O encontro prevê a apresentação do projeto por um grupo inglês já atuante no ramo petrolífero em Gana, no continente africano.

Os ingleses ainda não têm nenhum investimento no Estado. No entanto, conforme Cláudio Pinho, existem sete projetos previstos para o grupo no Pecém. Entre eles, aeroporto, termoelétrica, metrô, ligando o município à Capital, ampliação do porto e usina de regaseificação.

"A refinaria também estava inclusa, mas havia ficado de lado, já que a Petrobras estava tocando. A princípio, ela seria dentro da Zonas de Processamento de Exportação (ZPE), mas agora será conforme o desejo do governador. Se for no terreno da Petrobras, é preciso ver como seria a operação de devolução ou a estatal poderia ser uma acionista entrando com o espaço", diz.

De acordo com o prefeito, o projeto está aberto a parcerias com outros empresários. "Inclusive, vamos procurar o empresariado cearense, por meio da Fiec, para apresentar o projeto. Não adianta a gente ficar se lamentando e falando que fomos enganados. Nós temos nossa saída. Acreditamos que, através de fundos de grupos privados, possamos construir essa refinaria no Ceará", acrescenta.

Investimento

Todos os projetos do grupo inglês no Ceará somariam aproximadamente US$ 30 bilhões em investimentos. Caso seja acatado pelo governador, haveria a possibilidade de que a nova refinaria iniciasse no decorrer de 2015 para 2016 e a operação em 2020, aposta o prefeito.

Iniciativa em 2012

Em julho de 2012, o então governador do Ceará, Cid Gomes, havia revelado que a refinaria Premium II poderia ganhar sócios ingleses ou coreanos. "Eu tinha oferecido antes, mas a Petrobras não se interessou. Vou retomar os contatos de uns investidores ingleses que estão fazendo uma refinaria em Gana e outros na Coreia", disse ele na ocasião.

Na época, Cid estava preocupado com o recuo nos planos da Petrobras em construir a refinaria no Estado, quando a estatal colocou a obra em avaliação no Plano de Negócios 2012-2016.

Prejuízos

O governador do Ceará afirmou que os prejuízos com a desistência seriam "imensuráveis". Técnicos do governo estão contabilizando quanto já foi gasto. Em infraestrutura, estima-se que tenha sido investido, desde 2009, R$ 657 milhões.

A administração do então governador Cid Gomes adquiriu por R$ 126 milhões a área que engloba trechos rurais das cidades de São Gonçalo do Amarante e Caucaia.

O terreno integra a retroárea do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e fica a dez quilômetros do porto, construído há dez anos para o apoio à produção da refinaria e da siderúrgica planejadas para o local desde os anos 90.

O governador diz que cobrará caro da Petrobras os prejuízos causados ao povo cearense caso o empreendimento não seja realizado. Na avaliação dele, os investimentos não podem ser calculados apenas em números.

Ana Beatriz Sugette
Especial para economia

Rumos da reserva Anacé em debate

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE) e os índios Anacé se reunirão nesta segunda-feira, às 14 horas, na sede do órgão, em Fortaleza, para discutir problemas relacionados à implantação da reserva.

Na ocasião, também serão avaliados possíveis impactos da suspensão da Premium II. A implantação da reserva ficou definida em termo de compromisso assinado, em novembro de 2013, pelo MPF, Petrobras, governo estadual, Funai, governo federal e as comunidades indígenas Anacé de Matões e Bolso.

Nova realidade

O termo prevê a implantação da reserva em área de 543 hectares, com a construção de 163 casas para as famílias, além de água, energia, posto de saúde e escola indígena, com recursos do governo estadual e da Petrobras, totalizando R$ 30 milhões.

Reação

O senador Tasso Jereissati defende a tese de que a refinaria cearense já teria sido descartada desde o anúncio da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Isso foi uma das maiores fraudes contra o governo e o povo do Estado do Ceará. Há mais de oito anos tenho alertado constantemente que era uma mentira, que não tinha refinaria. Também falamos que o projeto que poderia vir para o Nordeste foi implantado em Pernambuco por decisão do presidente Lula por razões ideológicas. De lá pra cá, toda e qualquer promessa de refinaria foi uma mentira eleitoral que se repetia a cada ano e, principalmente, a cada eleição", diz Tasso.

Investimentos perdidos no Maranhão sem a Premium I

São Luís Um investimento bilionário está enterrado às margens da BR-402 no Maranhão. A rodovia, que liga Bacabeira ao paraíso natural dos Lençóis Maranhenses (Barreirinhas), tem nos seus primeiro quilômetros marcas do atual momento da Petrobras, empresa atingida por grave escândalo de corrupção. No km 1,7 da rodovia seria construída a Refinaria Premium I, o que representava possibilidade de desenvolvimento e riqueza para a região.

Lançada em 2010 pelo ex-presidente Lula, a Premium I era considerado o maior empreendimento do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra da Petrobras em Bacabeira foi anunciada como uma forma de colocar o Brasil no caminho da independência no refino de petróleo, com 600 mil barris por dia. Porém, nada disso vai acontecer. Após acumular prejuízos bilionários, a Petrobras anunciou, em 28 de janeiro, a desistência do projeto.

Projeto ambicioso

A Refinaria Premium I era um projeto ambicioso que custaria mais de R$ 40 bilhões de investimento. E ainda traria a construção do Porto de Bacabeira, de uso exclusivo da estatal, além da instalação de uma usina siderúrgica e de um estaleiro naval. Toda essa estrutura seria montada numa cidade que tinha apenas 10 mil habitantes e 16 anos de fundação no ano de 2010.

Passados cinco anos desde o anúncio, hoje o município tem as marcas do futuro que nunca chegou. Com uma população de 16 mil habitantes, muitos forasteiros e desempregados, Bacabeira vive um retrato do novo cenário econômico brasileiro.

A notícia do fim das obras caiu como uma bomba para moradores, empresários e políticos do Maranhão. Além de tudo que fora prometido, uma complexa infraestrutura foi montada para receber o investimento do porte da refinaria. A BR-135 (São Luís-Bacabeira) está sendo duplicada, as ferrovias Ferro Carajás e Transnordestina foram modernizadas e o sistema Italuís ampliado (abastecimento de água). Fora isso, ainda existem os investimentos privados, como a construção de hotéis, faculdades e cursos profissionalizantes.

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