Sergio Mattarella é eleito novo presidente da Itália

By | 31/01/2015
Sérgio Mattarella, presidente da Itália (Foto: Agência EFE)

Sérgio Mattarela, juiz do Tribunal Constitucional e várias vezes ministro, de 73 anos, foi eleito neste sábado o novo presidente da Itália, após a quarta votação realizada no parlamento do país. Mattarella precisava de 505 votos, maioria absoluta dos 1.009 eleitores, entre deputados, senadores, representantes de regiões e senadores vitalícios, na sessão conjunta presidida pela presidente da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini.

Após o fim da apuração, o novo presidente italiano obteve 665 votos, entre eles o apoio irrestrito dos parlamentares do Partido Democrata (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi, e dos aliados do governo, o Novo Centro-Direita (NCD), além do Ecologia e Liberdade. "Meu pensamento está, acima de tudo, nas dificuldades e esperanças de nossos compatriotas. Isso só basta", afirmou em uma sala do Tribunal Constitucional, onde é o principal juiz, ao receber a notícia de sua escolha. Mattarella se transforma assim no 12º chefe de Estado italiano – a 13ª presidência após a reeleição de Napolitano em 2013.

"Bom trabalho, presidente Mattarella. Viva Itália" foi a primeira mensagem que Renzi escreveu em seu perfil oficial no Twitter após a divulgação do resultado das eleições. O líder do partido Ecologia e Liberdade, Nichi Vendola, também usou a rede social para parabenizar Mattarella, chamando-o de "exemplo" para os justos e honestos.

Nas próximas horas, o parlamento decidirá quando será realizada a posse de Mattarella. A expectativa é que o novo presidente assuma o cargo na segunda-feira.

Biografia
O novo presidente da Itália é um jurista com uma importante carreira política, iniciada na Democracia Cristã (DC) e que o levou a ser várias vezes ministro, apesar do perfil considerado discreto. A discrição, a ausência de polêmicas na carreira de um dos poucos democratas-cristãos que sobreviveu à "Operação Mãos Limpas" (rande escândalo de corrupção dos anos 90) e o respeito pelo resto das forças políticas do país foram destacados pelos meios de comunicação italianos.

Nascido em Palermo, Mattarella será o primeiro siliciano a chegar à presidência do país e, além disso, conta com um importante passado de combate à máfia.

O líder do DC, Ciriaco de Mita, o encarregou da gestão do partido na Sicília, com o objetivo de limpá-la dos escândalos entre membros da Cosa Nostra e os prefeitos de Palermo Vito Ciancimino e Salvo Lima. Seu irmão, Piersanti Mattarella, foi assassinado pela máfia em 6 de janeiro de 1980, quando o agora novo presidente comandava a região da Sicília.

A escolha de Mattarella, católico praticante e membro na juventude do movimento Ação Católica, viúvo e pai de três filhos, foi criticada por alguns grupos. Ele é considerado como "expoente da velha política" e "integrante da primeira República italiana", como é chamado o período anterior à "Operação Mãos Limpas".

Além disso, sua candidatura foi totalmente rejeitada pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seu partido, Forza Italia. Os demais grupos de direita também se opuseram à escolha do novo presidente. Berlusconi não se esquece de como Matterella renunciou, em 26 de janeiro de 1990, ao cargo de ministro da Educação do governo de Giulio Andreotti, como forma de protesto pela aprovação da lei "Mammì", que reorganizava a imprensa italiana e garantia três emissoras de TV ao grupo Mediaset, empresa do ex-primeiro-ministro.

Mattarella nasceu no dia 23 de julho de 1941, em Palermo. Estudou Direito e foi professor de Direito Parlamentar na Universidade de sua cidade natal. Atualmente era juiz do Tribunal Constitucional após ter sido eleito pelo parlamento em outubro de 2011 por 572 votos.

Começou a carreira política no DC, na ala mais à esquerda do partido, e foi eleito como deputado pela primeira vez em 1983. Foi reeleito em 1987, 1992, 1996, 2001 e 2006. Foi um dos redatores do manifesto de criação do Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi, em 2007, mas nunca se filiou ao grupo. Um ano depois, se deixou de participar ativamente da política do país.

Além de assumir o ministério da Educação durante a gestão de Andreotti, foi ministro de Relações com o Parlamento no governo de Ciriaco De Mita (1988-1989). A ele se deve o antigo sistema eleitoral conhecido como "Mattarellum", pelo qual foram realizadas as eleições de 1994 e 2001, e que mudou o governo de Berlusconi.

Posteriormente, ocupou os cargos de vice-presidente do Conselho de Ministros (1998-1999) e de ministro da Defesa (1999-2000), quando aboliu a obrigatoriedade do serviço militar, no governo de esquerda de Massimo D'Alema. Além da atuação no governo, Mattarella fez parte de várias comissões no parlamento italiano, como as de Reforma Institucional, Terrorismo, Máfia, Crime Organizado e Assuntos Constitucionais.

Revista Época Negócios