Promotor se nega a ir ao Congresso

By | 21/02/2015

Buenos Aires. O promotor que retomou a acusação de suposto acobertamento contra a presidente argentina, Cristina Kirchner, depois da morte suspeita do autor da denúncia, Alberto Nisman, recusou-se a ir ao Congresso para expor seus argumentos, informou uma fonte judicial ontem.

O promotor Gerardo Pollicita tinha sido convidado a comparecer na segunda-feira pela bancada governista Frente para a Vitória (FPV), que queria conhecer as provas do caso. Nisman, o primeiro promotor que apresentou a denúncia, em 14 de janeiro, foi encontrado morto com um tiro na cabeça em seu apartamento.

Ele morreu na véspera do dia em que era aguardado no Congresso, citado pela oposição para apresentar provas contra Cristina Kirchner, o chanceler Héctor Timerman, e pessoas próximas ao governo, acusadas de acobertar ex-governantes iranianos pelo atentado antissemita de 1994, que deixou 85 mortos.

Pollicita retomou a denúncia e a apresentou ao juiz Daniel Rafecas, que ainda não se pronunciou se dará curso à investigação. "Para nós, era importante que fosse explicar os argumentos, mas era um convite, não é obrigado a ir", disse ao Canal23 o deputado Pablo Kosiner, que condenou os argumentos dos deputados da oposição que acusam o governo de atrapalhar as investigações. Kosiner lembrou que foi a oposição quem convocou Nisman para ir ao Congresso e reforçou que "o debate no Congresso é positivo, seja qual for a força que o convoque".

Desdém

Na quarta-feira (18), uma multidão foi às ruas de Buenos Aires, em um ato que foi convocado por promotores opositores ao governo um mês após a morte de Alberto Nisman.

O governo qualificou a marcha como uma manifestação opositora. A presidente ignorou publicamente a marcha e no dia seguinte publicou, em sua conta no Twitter, as mensagens que recebeu por ocasião de seu 62º aniversário, entre elas dos presidentes da China, Xi Jinping, e do Equador, Rafael Correa.

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