Petrobras incentiva mamona e não a utiliza

By | 23/01/2015

A Petrobras Biocombustíveis (PBio) pretende envolver, na safra 2014/2015, seis mil agricultores cearenses em um projeto conveniado com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em que incentiva o plantio de mamona à produção de biodiesel. O projeto conta hoje com 80 produtores no Estado, apesar de a mamona cultivada ainda não ser utilizada pela fábrica que a estatal possui no Ceará, no município de Quixadá.

O projeto criou oito núcleos de Unidades de Teste e Demonstração (UTDs) para acompanhar a safra 2013/14 de mamona, nos estados da Bahia e do Ceará. De acordo a PBio, mesmo diante do cenário de seca, as unidades tiveram um ganho de produtividade acima de 30%, quando aplicadas as técnicas adequadas, respeitando as características de clima, de solo e a tradição de cultivo de cada localidade.

Foco na produtividade

"O foco desse projeto não é o aumento da produção total, mas, sim, a alta produtividade. Nele testamos e identificamos os melhores pacotes tecnológicos para cada localidade e buscamos difundi-los entre os produtores locais, formando multiplicadores (agricultores já capacitados) e envolvendo agricultores da região e eventos de demonstração, como os ‘Dias de Campo’", informou a PBio, ao Diário do Nordeste.

"Estamos demonstrando que, usando tais tecnologias, os agricultores poderão ter maior produtividade, produção qualificada e, assim, mais renda. Vale ressaltar que, para a safra 2013/14, toda a produção foi muito afetada devido a falta de chuvas no estado, com quebra de safra. O que o projeto demonstra é que, apesar da adversidade, a aplicação do pacote tecnológico ideal garantiu aumento na produtividade superior a 30%", complementa.

Distribuição espacial

Atualmente, os 84 produtores estão divididos em quatro matrizes, havendo 80 filiais. Na safra 2013/14, foram instaladas nos municípios de Boa Viagem, Itatira, Monsenhor Tabosa e Tauá. Nas safras seguintes, serão instaladas ainda, em Boa Viagem, Itatira, Monsenhor Tabosa, e no município de Quixadá.

Conforme informou a Petrobras, toda a produção oriunda desse projeto é comprada pela PBio, a preço de mercado e vendida à Bioóleo, parceira da companhia, que faz o processamento do óleo da mamona. A Petrobras possui uma usina de biodiesel em Quixadá, inaugurada em 2008, mas que até hoje não utiliza a mamona na produção do biocombustível para comercialização. À época, a mamona era vista como uma grande solução para a geração de renda no semiárido, mas a atividade até hoje não vingou.

A estatal explica que a não utilização da oleaginosa na usina de Quixadá se justifica pelo valor do óleo de mamona ser superior a outros óleos. "Trata-se de um óleo nobre, com várias aplicações no mercado e a preço muito superior ao valor do biodiesel atualmente. O trabalho com a mamona no semiárido é realizado para a obtenção do Selo Combustível Social", justifica.

Produção de óleo de peixe começará

Um convênio para garantir assistência técnica aos piscicultores que atuam nos açudes do Castanhão foi firmado entre a Petrobras Biocombustível (PBio)e a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Ceará. Na oportunidade, também foi assinado o primeiro contrato de compra e venda de Óleos e Gorduras Residuais (OGR) de peixe, com a Cooperativa dos Produtores do Curupati, em Jaguaribara.

A partir do convênio, a usina de biodiesel da Petrobras Biocombustível, em Quixadá, começará, ainda neste mês, a produção de biodiesel a base do óleo extraído de vísceras de peixes, conhecido como OGR. A companhia recebeu, em dezembro, 4,55 toneladas do produto para produção de biodiesel.

O volume é resultado do primeiro contrato de compra firmado com a Cooperativa do Curupati, em Jaguaribara, região centro sul do Estado, em 18 de dezembro de 2014.

Óleo de tilápia

"O projeto é pioneiro no Brasil. Nosso objetivo é expandir as alternativas de matérias-primas para o biodiesel produzido pela companhia no Ceará. Esse primeiro contrato envolverá piscicultores que atuam no açude Castanhão e que fazem parte do convênio firmado pela companhia junto à Secretaria de Pesca", explicou Alberto Fontes, presidente da PBio.

O uso do óleo extraído das vísceras do pescado na produção de biodiesel cria uma nova fronteira para um mercado ainda em formação e traz vantagens para todos os envolvidos, aposta a direção da empresa.

Estatal eleva eficiência, mas paga menos royalties ao CE

Em meio às denúncias de irregularidades e de má gestão, a Petrobras inicia uma campanha de difusão dos resultados alcançados pela Estatal nos último anos e anuncia crescimento na eficiência operacional da empresa no Norte e no Nordeste, pelo quinto ano consecutivo. Nas unidades de operações do Ceará e Rio Grande do Norte, (UO-RNCE), a produtividade aumentou de 95%, em 2013, para 95,8%, no ano passado, garantidos pela melhor adequação de equipamentos de produção, redução da parada de poços, por condições de segurança e meio ambiente.

Além disso, contribuíram para esse resultado, a melhoria do tempo de vida útil do método de elevação por bombeio centrífugo submerso (BCS) – que permite produção de maiores vazões -, o plano de melhoria da confiabilidade do sistema elétrico das instalações, bem como a adequação da manutenção em equipamentos elétricos. As unidades de operações de Exploração e Produção (E&P) das regiões Norte e Nordeste do país, – onde predomina a produção terrestre de petróleo e gás natural -, fecharam 2014 com eficiência operacional de 95,2%, meio ponto percentual acima dos 94,7%, registrados no ano anterior.

Os resultados operacionais das unidades no Ceará, no entanto, não foram suficientes para elevar o montante de royalties do petróleo repassado pela empresa ao Estado e aos municípios cearenses. No acumulado do ano passado, a Petrobras transferiu para o Ceará, R$ 57,357 milhões, 5,4% menos do que os R$ 60,631 milhões de royalties pagos em 2013.

Do total de royalties repassado em 2014, R$ 19,148 milhões foram destinados ao governo Estadual e R$ 41,483 milhões distribuídos entre 82 municípios, de acordo com a participação e envolvimento de cada um com o negócio do petróleo no Estado. Do "bolo"do ano passado, Fortaleza recebeu a maior fatia, R$ 5,611 milhões, o equivalente a 14% do valor total destinado aos municípios cearenses,

Esse montante representa, no entanto, menos da metade, mais precisamente, 42,15% dos R$ 13,309 percebidos em royalties da Petrobras, em 2013. Em segundo lugar no ano passado, Horizonte recebeu R$ 4,497 milhões e Itapipoca, em terceiro, percebeu R$ 3,948 milhões.

Sérgio de Sousa
Repórter

Negócios