Perícia não vê pólvora nas mãos de promotor

By | 21/01/2015

Buenos Aires Não havia sinais de pólvora nas mãos do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no domingo com um tiro na têmpora. O procurador havia acusado, na quarta (14), a presidente argentina, Cristina Kirchner, de acobertar o Irã no caso do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994.

Viviana Fein, a promotora que investiga a morte de Nisman, revelou que o resultado da "varredura eletrônica da mão de Nisman lamentavelmente deu negativo, mas não é um resultado inesperado", declarou à rádio Mitre, sem descartar suicídio.

Fein explicou que em caso de armas de pequeno calibre como a 22 que, segundo a investigação, causou a morte do promotor, a quantidade de resíduos de pólvora pode ser tão ínfima que elimina resultados positivos.

Após a morte de Nisman, Cristina Kirchner, juízes e cidadãos exigem uma investigação a fundo sobre o caso, até agora considerado suicídio. O chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, pediu ontem em uma coletiva de imprensa que a morte do promotor seja investigada "até as últimas consequências" e garantiu todo o apoio institucional para seu esclarecimento.

Kirchner voltou ontem a utilizar o Facebook para refletir sobre o ocorrido, que desde a madrugada de segunda-feira afundou a Argentina em uma série de suspeitas, alimentadas pelo governismo e pela oposição.

"Acredito que o mais importante é advertir que tentam fazer com o julgamento de acobertamento o que foi feito com o julgamento principal 21 anos atrás: desviar, mentir, tapar, confundir", declarou em referência ao caso do ataque contra a AMIA, que deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

"Os crimes não têm razões, só têm motivos, e na Argentina ainda devemos explicar o mais óbvio e simples", disse Kirchner.

Desde março de 2012, é aguardado um julgamento contra o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), acusado de "acobertamento agravado" da chamada "conexão local", que forneceu a logística para realizar o atentado, no qual também estará no banco dos réus o ex-presidente da Delegação de Associações judaicas DAIA Rubén Beraja, entre outros.

Formadores de opinião argentinos, associações trabalhistas e políticos evitam a palavra assassinato e optam por falar de suicídio induzido como causador da morte do promotor.

Nisman foi achado morto no domingo em seu apartamento do Bairro de Puerto Madero em Buenos Aires, depois que alguns de seus 10 seguranças particulares alertaram a mãe dele porque ele não atendia aos chamados.

Protestos

Grupos de oposição convocaram milhares de pessoas em várias cidades do país, especialmente na Praça de Maio, que com o lema "Eu sou Nisman" pediram justiça.

Panelaços e carros buzinando também foram ouvidos em outros bairros da capital, quase na mesma hora em que Kirchner divulgou textos no Facebook e no Twitter. O governo considera suspeito que o promotor tenha interrompido de surpresa férias familiares na Europa para apresentar na semana passada uma denúncia de 350 páginas que envolve Kirchner.

Internacional