Paz na Ucrânia ainda é “incerta”, afirma Merkel

By | 08/02/2015

Munique A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou neste sábado (7) que não é certo que a iniciativa de paz franco-alemã para a Ucrânia, apresentada na véspera em Moscou, leve a um acordo. "Não é certo que esta negociação tenha êxito, mas compartilho com o presidente (francês) François Hollande que vale a pena tentar", afirmou durante a Conferência de Segurança de Munique.

Merkel também disse que a entrega de mais armas à Ucrânia não solucionará o conflito com os separatistas pró-russos do leste do país. "Estou intimamente convencida de que este conflito não pode ser solucionado militarmente. Os avanços que a Ucrânia precisa não podem ser alcançados com mais armas", acrescentou a chanceler.

Na sexta-feira (6), Hollande e Merkel obtiveram a concordância do presidente russo Vladimir Putin para a elaboração de um plano de paz que coloque fim a dez meses de guerra no leste da Ucrânia, que já deixou 5.300 mortos. A iniciativa de paz franco-alemã, apoiada por Washington, União Europeia e Otan, é a última tentativa de acabar com o conflito, que provocou uma crise internacional.

Antes de chegar a Moscou, o presidente francês e a chanceler alemã se mostraram cautelosos sobre as chances de sucesso em convencer Putin a aceitar o plano, cujo conteúdo não foi divulgado e que foi definido com urgência ante a intensificação dos combates.

Guerra

As negociações da Alemanha e da França com a Rússia são "uma das últimas oportunidades" para evitar uma guerra, declarou François Hollande. "Se não alcançarmos um acordo durável de paz conhecemos perfeitamente o cenário, que tem um nome e se chama guerra", disse Hollande. A Rússia é acusada pela Ucrânia e pelo Ocidente de apoiar os rebeldes separatistas que lutam contra as forças de Kiev no leste ucraniano.

Apoio dos EUA

Enquanto isso, o vice-presidente americano, Joe Biden, afirmou que a Ucrânia está "lutando por sua sobrevivência" e acusou a Rússia de escalada no conflito e o presidente Vladimir Putin de "ignorar todos os acordos assinados". "A Ucrânia está lutando por sua verdadeira sobrevivência. A Rússia continua a escalada no conflito enviando mercenários e tanques", disse Biden à imprensa em Bruxelas ao chegar ao Conselho Europeu para se reunir com o presidente desta instituição, Donald Tusk.

De acordo com ele, os Estados Unidos não têm qualquer interesse no acirramento do conflito militar e insistem para que aconteça o contrário. O vice-presidente disse ainda que a Ucrânia tem todo o direito de se defender e que os Estados Unidos vão ajudar o país a fazê-lo.

Na prática, isso significa que os EUA devem continuar fornecendo material não letal a Kiev como coletes à prova de bala, equipamento médico e aparelhos de visão noturna.

Evacuação

Os disparos de lança-foguetes múltiplos Grad foram retomados neste sábado contra Debaltseve, no leste da Ucrânia, onde na sexta-feira centenas de civis foram evacuados.

"Os rebeldes disparam com Grad desde as 6h da manhã" contra os distritos do norte de Debaltseve, escreveu o chefe da polícia regional leal a Kiev, Viatcheslav Abroskin, em sua página no Facebook. Na sexta-feira, "753 civis, entre eles 81 crianças, foram evacuados" de Debaltseve e das cidades próximas durante uma curta trégua concluída entre as autoridades de Kiev e os separatistas pró-russos, informou o serviço de Situações de Emergência ucraniano.

Debaltseve, uma cidade estratégica que conecta as capitais rebeldes de Donetsk e Lugansk, é palco há semanas de combates entre os separatistas e as forças ucranianas, que seguem controlando a cidade.

Os separatistas também realizaram disparos com lança-foguetes contra as localidades de Novotoshkivské e Shtchastia, na região de Lugansk, e com morteiros contra a aldeia de Chernenko, 10 km a nordeste do porto estratégico de Mariupol, às margens do mar de Azov, informou o exército ucraniano.

Em Donetsk, reduto dos separatistas pró-russos, ocorreram disparos intermitentes com artilharia e lança-foguetes, alguns dos quais procediam de posições rebeldes.

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