Parque Augusta terá wifi, café e dividirá espaço com hotel e escritórios

By | 27/01/2015

O Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou em reunião nesta terça-feira (27/01) o projeto para a construção de prédios no terreno do parque Augusta, no centro de São Paulo, que pertence às empresas Setin e Cyrela.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, os prédios obedecerão ao limite de 45 metros de altura e o projeto preservará a área verde, além do que restou do colégio feminino Des Oiseaux, que funcionou no local até a década de 1960. Também está garantida uma área aberta ao público.

O terreno é alvo de polêmica, pois os moradores da região queriam que toda a área fosse transformada em parque. Em 2008, o prefeito Gilberto Kassab baixou um Decreto de Utilidade Pública (DUP) que impedia qualquer iniciativa no terreno. O decreto expirou em 2013 e Fernando Haddad afirmou que a Prefeitura não tinha dinheiro para desapropriar o local. Na época, ele afirmou que, se tivesse, usaria a verba para construir creches.

Antonio Setin, dono da empresa que leva seu sobrenome, afirmou no início deste mês à Época NEGÓCIOS que a empresa destinará pouco mais de 60% do terreno para um parque de uso público. A expectativa é entregar a área ainda este ano para a população. "O parque vai ter iluminação, wifi, banheiro, café, segurança e custo zero para a Prefeitura. A ideia é fazer uma coisa de primeiríssimo mundo."

Os prédios que serão construídos terão hotel, escritórios e apartamentos residenciais. Se tudo caminhar como planejado, Setin espera entregá-los em 2018. 

O terreno ficou durante muitos anos nas mãos do ex-banqueiro Armando Conde. Segundo Setin, várias pessoas já tinham tentado negociar com ele, sem sucesso. Há oito anos, por insistência de colegas, os dois acabaram combinando um almoço. Um simpatizou com o outro e 15 dias depois o negócio estava fechado. O problema, depois disso, foi resolver o imbróglio com a administração municipal, que ganhou mais um entrave após a DUP.

Segundo Setin, nos últimos meses a empresa se reuniu com vários órgãos da Prefeitura, além de associações e moradores para negociar o projeto. A decisão de fechar o terreno, criticada pelos ativistas, foi tomada após seguidas invasões no terreno no final de 2013. Ele diz que atualmente tem despesas de cerca de R$ 2 milhões por ano com IPTU e seguranças no terreno fechado. 

Procurada, a Cyrela afirmou que só comentaria o assunto depois de oficialmente informada sobre a decisão. 

Revista Época Negócios