Onze morrem em ataque a hotel líbio

By | 28/01/2015

Trípoli. O número de mortos, ontem, na explosão de um veículo e posterior ataque contra um hotel de luxo em Trípoli, na Líbia, aumentou para 11, indicou o porta-voz do departamento de Operações de Segurança líbio.

Citado pela agência espanhola de notícias EFE, o porta-voz, Issam Al Naas, precisou que entre as vítimas há quatro cidadãos estrangeiros, cinco agentes da polícia e bombeiros e dois terroristas. Estes últimos, que entraram no hotel após a explosão, foram mortos por seguranças que os atingiram com granada de mão, no 24º andar do prédio.

Esse andar geralmente é reservado à missão diplomática do Catar, mas nenhum diplomata ou responsável pelo gabinete se encontrava no momento do ataque. O hotel Corinthia tem sempre elevada proteção, porque nele reside o presidente do governo islâmico de Tripoli, Omar Al Hassim, e lá costumam se alojar os membros das missões diplomáticas estrangeiras. Dez pessoas ficaram feridas no ataque, entre as quais policiais e hóspedes do hotel.

Um grupo militante associado aos insurgentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria assumiu a responsabilidade pelo ataque ao hotel como uma vingança pela morte de um suposto agente líbio da Al Qaeda nos Estados Unidos, de acordo com o serviço de monitoramento SITE.

Mas as autoridades de Trípoli que criaram o seu próprio governo autoproclamado culparam ex-aliados de Muammar Kadafi (deposto em 2011 após 42 anos no poder) de tentar assassinar o primeiro-ministro, que estava no hotel, e disseram que ele foi resgatado sem ferimentos.

O ataque ocorreu às 9h locais (4h em Fortaleza), quando, segundo Al Naas, explodiu um automóvel com as mesmas características do veículo preparado, que provocou a explosão de 17 de janeiro, em frente à embaixada da Argélia, fazendo três feridos. Na Líbia, há atualmente duas estruturas paralelas de governo, em Trípoli e em Tobruk, que competem pelo poder.

Ameaças do EI

Em um vídeo divulgado ontem, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) ameaçou matar em 24 horas um jornalista japonês e um piloto jordaniano. Para evitar os assassinatos, o grupo extremista exige que as autoridades de Amã libertem uma iraquiana presa e condenada à morte por atos de terrorismo.

No vídeo, o jornalista Kenji Goto aparece segurando uma foto do piloto da Jordânia Maaz al-Kassasbeh. Na semana passada, o grupo terrorista, que atua na Síria e no Iraque, divulgou outro vídeo no qual ameaçava matar dois japoneses – o empresário Haruna Yukawa, de 42 anos, e o jornalista Kenji Goto -, caso o governo japonês não pagasse US$ 200 milhões em um prazo de 72 horas.

Como o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o Japão "não se curva perante terroristas" e "vai contribuir na luta da comunidade internacional a favor da paz e contra o terrorismo", o EI divulgou novo vídeo em que Goto informava que seu compatriota havia sido executado. Goto viajou à Síria para cobrir o conflito no início de outubro de 2014 e deveria ter retornado ao Japão no fim daquele mês, mas foi capturado e feito refém.

Trabalho conjunto

O Japão prometeu trabalhar com a Jordânia para conseguir a soltura do jornalista japonês mantido refém por militantes do Estado Islâmico, após a morte de outro refém japonês na semana passada, mas reiterou que não vai ceder ao terrorismo.

A crise dos reféns se tornou um teste para o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que assumiu em 2012 prometendo aumentar o papel do Japão na segurança mundial. "Gostaríamos de trabalhar junto com o governo jordaniano", disse o ministro de Relações Exteriores japonês, Yasuhide Nakayama.

Radicais

O que representa o grupo jihadista Estado Islâmico

O Estado Islâmico (EI), que tem divulgado vídeos com a decapitação de reféns, é um grupo muçulmano extremista fundado em outubro de 2004 a partir do braço da Al Qaeda no Iraque. Em janeiro de 2014, o EI declarou que o território sob seu controle passaria a ser um califado, a forma islâmica de governo, extinta em 1924, que representa a unidade política do mundo islâmico e que sobrepõe a ideia de pertencimento nacional, pregando o fim de fronteiras

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