O que Bill Gates espera do mundo nos próximos 15 anos

By | 23/01/2015
Bill e Melinda Gates (Foto: Agência EFE)

Bill Gates está otimista. Há 15 anos investindo em projetos sociais por meio da Fundação Bill & Melinda Gates, ele tem visto muitas vidas mudarem para melhor nos países onde atua. Agora, ele aposta que, nos próximos 15 anos, as mudanças para a parcela mais pobre da população mundial acontecerão ainda mais rápido. Ele e Melinda participaram nesta sexta-feira (23/01) de uma sessão no Fórum Econômico Mundial, um dia após divulgarem um documento no qual detalham suas expectativas.

A primeira grande "revolução", segundo eles, será na área da saúde. Para Melinda, muitas pessoas subestimam o poder das vacinas, mas elas têm um impacto considerável na queda da mortalidade infantil. Para os próximos anos, ela espera que a população de quase todos os países tenha acesso a vacinas para diarreia e pneumonia, duas das maiores causas de morte de crianças. "As vacinas são a cura milagrosa. Por cerca de US$ 30 você pode comprar um kit básico para crianças", afirmou.

Para ampliar a cobertura de vacinação nos países, de acordo com Gates, pequenas inovações também são fundamentais, como ter recipientes que as mantenham geladas e possibilitem seu transporte. Ele também aposta que a cura para a Aids e a malária será encontrada. "As ferramentas que nos permitirão reduzir em 95% ou 100% essas doenças serão inventadas nesse período de 15 anos".

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Agricultura
A evolução da agricultura, especialmente nos países africanos – onde sete em cada dez pessoas trabalham no setor – também fará a diferença na vida da população. Com o uso da tecnologia, será possível melhorar a produtividade, ajudando as famílias não só a garantirem a subsistência, como também a colocar o excedente no mercado para obtenção de uma renda extra. Acesso a sementes que se adaptam melhor ao solo e à região, treinamento sobre técnicas de cultivo e troca de informações pelo celular para saber, por exemplo, o preço de um produto específico no mercado mais próximo, podem levar a uma "revolução verde".

Em relação aos celulares, há outro potencial que já está sendo desenvolvido em países pobres, principalmente da Ásia e da África: os bancos mobile. As altas taxas do sistema financeiro tradicional impedem que boa parte da população em locais subdesenvolvidos tenha acesso a uma conta bancária. Novas empresas estão criando bancos virtuais que tornam o ato de economizar mais seguro e as transações mais fáceis. Apesar de cada família não movimentar grandes somas, o negócio se torna lucrativo porque não exige uma infraestrutura física e pode alcançar milhões de clientes.

A tecnologia também vai melhorar a educação. Bill e Melinda acreditam que novos softwares poderão ajudar os professores na sala de aula, além de motivar as crianças fora dela. O ensino digital terá impacto tanto em países já desenvolvidos, como os Estados Unidos, quanto em países subdesenvolvidos, onde o acesso à educação ainda é precário. 

Mulheres
Melinda aproveitou o bate-papo para falar sobre a importância de valorizar as mulheres. "Se você empodera uma mulher, você empodera a família toda", afirmou. Segundo ela, a educação é fundamental nesse processo. "Se a mulher tem acesso à educação, ela se casa mais tarde, tem filhos mais tarde. Os filhos de uma mulher alfabetizada têm 50% mais chance sobreviver até os 5 anos", disse. Além disso, incluir mulheres no mercado de trabalho tem um enorme potencial para aumentar o PIB dos países.

Revista Época Negócios