O país do futuro e o país do atraso

By | 28/01/2015
Coluna Enxuga aí - tarja (Foto: Rodrigo Buldrini)
José Roberto Ferro, presidente e fundador do Lean Institute Brasil (Foto: Divulgação)

Era uma vez dois países, muito diferentes um do outro.

No primeiro país, a prioridade é para quem trabalha e produz. Há uma preocupação de garantir direitos a todos, inclusive aos imigrantes. Não se aumenta impostos que possam prejudicar a população em geral. Ao contrário, estimula-se a produção, a educação, o consumo, as pesquisas científicas, o empreendedorismo.

Lá, o governo luta contra interesses enraizados para tentar aumentar impostos sobre as grandes fortunas que podem contribuir tranquilamente com o país, sem que o restante da sociedade perca o padrão de vida. Procura se garantir, ainda, direitos à assistência médica para todos, e a educação é universal.

Já no outro país, quem sempre parece se beneficiar das políticas de governos é a parte mais rica da população. Frente ao descontrole das contas públicas, quando governos gastam mais do que arrecadam, a saída é sempre cobrar mais impostos de quem já tem uma carga tributária aviltante.

Nesse outro país, os juros estão entre os mais altos do mundo, dificultando a vida de quem quer produzir e melhorar o padrão e a qualidade de vida, com um maior consumo de bens e serviços. Os setores que se beneficiam não são aqueles que produzem riqueza para a sociedade.

Lá, o cidadão que não tem acesso a um plano privado de saúde espera meses para conseguir uma consulta, um exame ou uma cirurgia, apesar de ter esses direitos garantidos pela Constituição.

O paradoxal é que o primeiro país, os EUA, é o mais capitalista do mundo. Enquanto o segundo, o Brasil, é administrado por um governo que se diz socialista. A impressão que deu essa semana que passou é que o berço do capitalismo é, na verdade, um país mais “social” do que o governo do país que se diz socialista.

Evidente que esses dois termos usados historicamente para diferenciar e contrastar dois regimes e filosofias políticas há tempos já deixaram de ter sentido. Mas isso serve para refletirmos que enquanto o Brasil não parar de sobrecarregar a maior parte produtiva da população sempre que se precisa equilibrar gastos mal feitos não seremos um país com economia forte, educação de qualidade, ciência inovadora e outras coisas absolutamente necessárias. Isso para poder recuperar a possibilidade de entrarmos na rota do desenvolvimento, para podermos acessar a condição de um país desenvolvido, com a melhor renda e qualidade de vida.

Ao contrário, aqui sempre que se tem de pagar a “conta”, é com a população que trabalha e que tenta consumir bens e serviços. Melhorar a gestão do governo, gastar menos e melhor, cobrar impostos das fortunas bilionárias, melhorar a educação e universalizar a saúde estão na agenda do país mais rico do mundo.

A agenda do governo do país desigual e com baixo crescimento – que vive com problemas crônicos de corrupção, acesso precário da população aos serviços públicos de educação e saúde, com infraestrutura precária – é cobrar mais e mais impostos. 

Enquanto os EUA crescem 5% e se tornam uma nação onde o futuro é construído, o Brasil segue estagnado como o país de um futuro que jamais chega.

(José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil, escreve às terças-feiras)

Revista Época Negócios