O nanomaterial que deve desbancar o grafeno

By | 27/01/2015
Fibras de nanocelulose (Foto: TAPPI/Divulgação)

Embora o grafeno esteja sendo bastante incensado como a última palavra em supermateriais, pesquisadores da África do Sul prometem desbancá-lo com o novo e revolucionário “nanomaterial do milênio”: produzido a partir de nanocelulose, esse material poderá ser utilizado em diversas aplicações para energia limpa, como, por exemplo, baterias para veículos elétricos.

A nanocelulose é simplesmente fibra de madeira quebrada em nanoescala, que passa a ter propriedades especiais: é mais forte e mais leve do que as fibras de kevlar. Até o Pentágono já está de olho nela, para fabricar armamentos mais leves e resistentes.

A pesquisa sul-africana é feita pela empresa Sappi, que, em parceria de três anos com a Universidade de Edimburgo, na Escócia, desenvolve um projeto piloto para obter o que chama de “nanofibras de celulose”. Seu diferencial em relação a iniciativas semelhantes é o uso de químicas especiais que permitem a fragmentação fácil das fibras de madeira em nanocelulose. Além de terem custo baixo, esses produtos químicos são facilmente recicláveis e reutilizáveis sem produzir grandes quantidades de efluentes. O processo de produção gera um pó seco que pode ser disperso em água, sem alterar a nanocelulose, tornando sua superfície uma “tela branca” química que facilita a combinação com outras substâncias.

Nanocristais, o futuro
O futuro da nanocelulose também entusiasma o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que aplicou US$ 1,7 milhão na instalação de um laboratório no estado de Wisconsin para a pesquisa de nanomateriais gerados da madeira. E a Associação Tecnológica da Indústria Americana de Polpa e Papel (TAPPI, na sigla em inglês) até já lançou um vídeo exaltando a nanocelulose como uma oportunidade de “repensar” o uso do papel. 

 

 

 

 

 

 

 

 

E os pesquisadores trabalham numa área mais ousada: a produção de “nanocristais de celulose”, ainda menores e mais resistentes que a nanocelulose. Com ajuda do Departamento de Agricultura, a Universidade de Purdue, no estado de Indiana, desenvolve tecnologia para observar os nanocristais, que têm 3 nanômetros de espessura por 500 nanômetros de comprimento – o equivalente a 1/1.000 avos de um grão de areia. Um de seus objetivos é usá-los na fabricação de baterias flexíveis feitas de papel condutor de eletricidade.

Revista Época Negócios