Novo governo reduz ministérios

By | 28/01/2015

Atenas. O primeiro escalão do novo governo da Grécia, liderado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, prestou juramento ontem em cerimônia com participação do chefe de Estado do país, o presidente Karolos Papoulias.

Uma das novidades foi a redução de 18 para dez no número de ministérios, incluindo o Ministério de Luta Contra a Corrupção, criado pelo premiê. Dois dias após a vitória nas urnas, a maioria dos ministros prestou o juramento civil, a exemplo do que fez o primeiro-ministro, que é agnóstico. Alexis Tsipras é o primeiro líder do governo grego a rejeitar o juramento religioso perante o arcebispo de Atenas, líder da Igreja Ortodoxa grega.

Antes, o ministro da Defesa, Panos Kamenos, líder do partido aliado Gregos Independentes, e sete vice-ministros fizeram o juramento religioso.

Após sua vitória, Tsipras afirmou que "a Grécia deixou para trás a desastrosa austeridade" e que "o veredicto do povo grego significa o fim da troika", a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, que, desde 2010, avalia as medidas adotadas no país em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.

O vice-primeiro ministro e responsável pela coordenação econômica no novo governo e negociação com a troika é o economista Yannis Dragasakis.

Um dos autores do programa econômico do partido Syriza, Dragasakis é o único membro empossado que tem experiência anterior no governo grego.

Panos Kammenos, líder do Gregos Independentes, que se coligou com o Syriza para formar a maioria no Legislativo, ficará com o Ministério da Defesa. Todos os demais ministros são do partido vitorioso.

Negociações com a UE

A prioridade do novo governo será renegociar a dívida externa do país e terminar com a política de austeridade que empobreceu a população.

A negociação com os credores da Grécia ficará a cargo do economista Yannis Varoufakis, crítico ferrenho da "odiosa dívida" e favorável ao fim das medidas de austeridade. Nos próximos dias começará a romaria de personalidades europeias a Atenas.

Amanhã, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, inaugura a rodada de encontros. Já o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, se reunirá na sexta-feira (30) com Tsipras, e seu ministro das Finanças. Na véspera, após uma reunião de ministros das Finanças dos 19 países da zona do euro, Dijsselblom afirmou que os problemas da Grécia não desapareceram depois das eleições de domingo, vencidas pelo Syriza, o partido de esquerda radical antiausteridade de Tsipras.

"Pertencer à zona do euro significa que é preciso respeitar o conjunto dos acordos", advertiu.

Parabenização alemã

A chanceler alemã, Angela Merkel, enviou um telegrama parabenizando o novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, ontem, desejando força e sucesso na posição difícil que ocupa após a vitória na eleição de domingo.

Merkel, cujo governo tem insistido para que Atenas mantenha seu compromisso com a austeridade fiscal, afirmou que espera poder "aprofundar ainda mais" as boas relações entre os dois países, de acordo com o telegrama divulgado pelo escritório de Merkel na manhã de ontem.

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