Não há decisão sobre rodízio de água em SP, diz Geraldo Alckmin

By | 30/01/2015
Geraldo Alckmin (Foto: Agência O Globo)

Enfrentando a maior crise hídrica de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta sexta-feira (30/01), que não há ainda nenhuma decisão em relação à implantação de um rodízio no uso da água no estado. Alckmin discutiu a crise no abastecimento de água na região com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Foi a terceira audiência entre os dois nos últimos três meses.

Conforme informou nesta sexta-feira, 30, o jornal O Estado de S. Paulo, entre as saídas estudadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para evitar o colapso completo do Sistema Cantareira, a mais provável é a adoção de um rodízio de 4 por 2 (quatro dias sem água e dois com).

"Não há nenhuma decisão tomada, esse é um assunto tecnicamente que a Sabesp está avaliando, monitorando permanentemente", disse Alckmin, em coletiva. "Nós optamos pela válvula redutora de pressão, porque com ela você não zera o sistema e, não zerando o sistema, diminui o risco de contaminação, porque mantém o sistema sob pressão."

Alckmin destacou que o governo está distribuindo gratuitamente caixa d'água para famílias de baixa renda e disse que não há decisão sobre a utilização da terceira reserva técnica do Cantareira.

"Não há decisão sobre a utilização da terceira reserva técnica do Cantareira, mas não pretendemos utilizá-la, a não ser que haja uma extrema necessidade", observou o governador.
Por parte do governo federal, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Nelson Barbosa (Planejamento) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) acompanharam a conversa entre Dilma e o governador no Planalto. Por parte do governo estadual, Alckmin trouxe o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, e o secretário paulista de saneamento e recursos hídricos, Benedito Braga.
Na última quarta-feira, 28, a presidente recebeu no Planalto os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para tratar da situação do abastecimento de água nesses Estados. Minas já cogita dentro de três meses adotar o racionamento, caso a situação se agrave.

"É responsabilidade do governo dos Estados a gestão, operação do abastecimento, mas podemos construir parcerias republicanas, que aumentem a oferta de água, não só projetos estruturantes, mas medidas emergenciais", destacou Mercadante, lembrando que o Planalto está buscando "desenhar todas as parcerias possíveis para aumentar a oferta de água".

Financiamento
No dia 4 de dezembro de 2014, Alckmin assinou com a presidente Dilma Rousseff um contrato que garantirá o financiamento de R$ 2,6 bilhões às obras do Sistema Produtor São Lourenço.
O empreendimento será financiado pela Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS e ajudará a ampliar a capacidade de abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo. A previsão é de que a obra beneficie sete municípios a oeste da capital, reduzindo a pressão sobre outros sistemas, como o Cantareira.

Na semana passada, o projeto de interligação do reservatório Jaguari-Atibainha foi incluído na carteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A decisão foi tomada no dia 22 pelo Comitê Gestor do Programa de Aceleração do Crescimento (CGPAC). A obra, estimada em R$ 830,5 milhões, faz parte dos projetos de segurança hídrica que o governo de São Paulo apresentou ao Palácio do Planalto com o objetivo de reforçar o abastecimento de água no Estado.

"A obra já está no RDC (regime diferenciado de contratação), já pode acelerar o processo licitatório, é uma obra que deve ficar pronta em cerca de um ano e oito meses, o diagnóstico que hoje o Jaguari estaria numa cota de 0%, mas só o volume morto do Jaguari é aproximadamente metade do volume útil do Cantareira", destacou Mercadante.

"Hoje celebramos aqui uma conquista importante, que é a interligação da represa de Atibainha, que é do Sistema Cantareira, com a represa do Jaguari, que é do Paraíba do Sul. O que vamos fazer é interligar bacias hidrográficas", comentou o governador. "É uma obra estruturante, importante, que dobra a capacidade de reservação", completou o tucano.

Revista Época Negócios