Mulheres marcam cena política de Washington

By | 15/02/2015

Washington. Os EUA já respiram a campanha presidencial de 2016, que anima a perspectiva de uma mulher, Hillary Clinton, ocupar pela primeira vez a Casa Branca, em Washington. Na capital americana, porém, a presença feminina no primeiro escalão da administração não tem nada de inédita. E, desde 1º de janeiro, os 650 mil habitantes do Distrito de Colúmbia (DC) contam com a força de trabalho de quatro mulheres para relançar a campanha pela emancipação política e superar seus principais desafios: fechar o rombo das contas públicas, acelerar o crescimento, oferecer moradia a custo baixo, derrubar o número de assassinatos e reformar o sistema educacional.

À frente da tropa está a segunda prefeita eleita da capital, Muriel Bowser, de 42 anos. Com campanha focada na transparência da gestão e no envolvimento da comunidade nas decisões, conquistou a vaga democrata e foi eleita com 54,5% dos votos. "Acredito na elaboração de planos ousados mas pragmáticos e em trabalho diário para executá-los", afirmou Muriel na posse.

A tarefa será árdua. O DC entrou em 2015 com rombo de US$ 256,3 milhões no Orçamento e capacidade restrita de financiamento. Após anos perdendo moradores, Washington voltou a crescer, com um boom imobiliário remodelando bairros inteiros. O investimento público é essencial para continuar a expansão. Também será preciso investir na mitigação dos efeitos colaterais. O preço dos imóveis disparou, e 79% dos inquilinos da capital gastam mais de 30% do orçamento familiar com aluguel.

Diretos civis

A aliada de Muriel nesta frente é a veterana ativista de direitos civis Eleanor Holmes-Norton, democrata de 77 anos que venceu em novembro sua 13ª eleição consecutiva para delegada de Washington junto ao Congresso. O DC não goza de autonomia orçamentária e legal. Tem direitos, mas suas escolhas são submetidas à chancela dos deputados e senadores dos 50 estados – uma aberração que tornou famosa a frase "tributação sem representação" nas placas dos carros.

Virar estado ampliaria as condições de planejamento e execução de políticas de DC, favorecendo a criação de oportunidades. Metade da população é formada por negros, mas os indicadores socioeconômicos carregam profundo viés racial. De cada dez pessoas presas, oito são negras e sete de cada dez prisões são feitas nos cinco bairros em que residem 90% dos negros.

Inclusão social

A nova prefeita manteve a chefe de polícia Cathy Lanier, de 47 anos, primeira mulher a ocupar o cargo. Há oito anos na posição, Cathy tem como filosofia de policiamento a inclusão e o desenvolvimento da confiança entre comunidades e policiais. Tem aversão às políticas de tolerância zero, que promovem prisões em massa e tensão em regiões marcadas pelo crime, notadamente negras, alimentando a violência e prejudicando as investigações.

"Quando você implementa tolerância zero, quem você aliena? Moradores, vítimas e testemunhas. E aí ninguém respeita a polícia", disse Cathy.

Há quatro anos no comando da transformação está a conselheira de Educação, Kaya Henderson, de 44 anos. Um dos desafios da reforma educacional é reduzir a taxa de repetência – 40% dos alunos do último ano do ensino fundamental não concluem a highschool em quatro anos. Além disso, os alunos do DC têm desempenho inferior à média das avaliações nacionais, com viés racial acentuado. Nos testes de leitura, 92% dos estudantes brancos passaram, mas apenas 38% dos negros.

Reconhecida pela sua capacidade de extrair consensos, Kaya transborda convicção sobre o projeto. "Sabemos o que precisamos fazer e temos tudo de que precisamos para fazê-lo", disse.

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