MPF apura suposta fraude em empréstimo do BNB

By | 27/01/2015

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) está apurando denúncias a respeito de dois empréstimos concedidos pelo Banco do Nordeste (BNB) ao empresário Walter Faria, proprietário da Cervejaria Itaipava. Conforme publicou, na última sexta-feira, uma revista semanal de circulação nacional, os empréstimos, que somam R$ 827 milhões, foram concedidos, em setembro de 2013 e em abril de 2014, com dispensa de carta-fiança – instrumento que serviria de garantia em caso de possível calote.

De acordo com a revista, a dispensa da carta-fiança implica menor segurança para o banco, o que, para o MPF, pode significar crime de gestão fraudulenta. A reportagem publicada também destaca o fato de, menos de três semanas após o empréstimo, o empresário ter doado R$ 17,5 milhões à campanha da então candidata Dilma Rousseff.

Segundo divulgou o MPF, o procurador da República Edmac Trigueiro requisitou ontem à Polícia Federal a instauração de inquérito para apurar se houve crime de gestão fraudulenta e identificar os responsáveis. Por sua vez, o procurador da República Oscar Costa Filho requisitou à presidência do BNB informações e documentos relacionados aos empréstimos. Ao Tribunal de Contas da União (TCU), o MPF enviou ofício requisitando providências para apurar o caso.

O grupo Petrópolis, que detém a Itaipava, afirmou à revista que a fiança foi substituída por outras garantias com "valores até maiores". Procurado pela reportagem, o BNB afirmou que o processo de aprovação e constituição das novas garantias "foi realizado com base em avaliações técnicas". "As operações com a empresa foram contratadas seguindo todos os procedimentos estabelecidos nos normativos vigentes", destacou o banco, em nota. O BNB acrescentou que "a decisão (de dispensa da finança) foi amparada em normativos vigentes e está de acordo com práticas de mercado".

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