Mercado espera recessão econômica em 2015, aponta pesquisa Focus

By | 18/02/2015
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O mercado está mais pessimista com o crescimento do país em 2015 e passou a esperar uma recessão. Segundo o boletim Focus, levantamento semanal divulgado pelo Banco Central, os analistas ouvidos na pesquisa esperavam, até semana passada, estagnação para o Produto Interno Bruto (PIB). Agora, a expectativa é de uma retração de 0,42%. Para 2016, a estimativa é de recuperação, uma expansão de 1,50%, mesmo número projetado na semana anterior.

Parte desse desempenho negativo se explica pela piora nas projeções para a indústria, que até semana passada registrava expectativa de produção positiva em 0,44%. Esta semana, no entanto, o quadro virou para pior e a expectativa é de queda de 0,43% na produção industrial. Para 2016, as projeções apresentaram uma ligeira desaceleração, mas ainda assim um número muito melhor que o esperado para este ano – entre a semana anterior e este ano, a expectativa para a produção industrial recuou de 2,50% para 2,45%.
 

Esse movimento também pode refletir, em parte, o ajuste que está sendo realizado pelo governo. Além de um aperto fiscal, o Banco Central tem em andamento um ajuste monetário. Até semana passada, o mercado esperava que a alta dos juros deixaria a Selic em 12,50% em 2015, agora, acredita-se que a autoridade monetária pode chegar a 12,75%.

Inflação
O mercado financeiro vê ainda mais distante do que antes a possibilidade de cumprimento da meta de inflação de 4,5% em 2015. A piora das expectativas para os indicadores de preços pode ser constatada em diferentes variáveis para diferentes períodos levantados pelo Focus desta semana. De acordo com o documento, a mediana das previsões para o IPCA deste ano subiu de 7,15% para 7,27%. Há um mês, a mediana estava em 6,67%.

Também no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas que mais acertam as previsões, a mediana segue acima da banda superior da meta. Entre a semana passada e esta, a projeção ficou estável em 7,12% para 2015 e em 5,65% para 2016. Quatro semanas atrás estava, respectivamente, 6,60% e 5,60%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA subiria nos primeiros meses deste ano, mas avaliou que entraria em um período de declínio mais para frente e encerraria 2016 no centro da meta de 4,5%. Apesar desse prognóstico mais positivo para o médio prazo, as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem em nível elevado. Elas, entre a semana anterior e esta, ficaram estáveis em 6,56% — ainda acima do teto da meta de inflação.

As projeções para o curto prazo também continuam em nível elevado na Focus: a taxa para fevereiro de 2015 segue em 1,02%. Um mês antes, essa taxa estava em 0,75%. Para março, a mediana das previsões passou de 0,65% para 0,70%, ante 0,55% de quatro semanas atrás.
Na pesquisa geral, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 foi uma das poucas a não mostrar piora, com a mediana das projeções estáveis em 5,60% pela terceira semana consecutiva — um mês antes estava em 5,70%.

Revista Época Negócios