Maior prova de ciclismo do mundo chega ao Brasil

By | 31/05/2015
Ciclistas pedalam em trecho de estrada de Cunha, que fará parte do circuito da etapa brasileira do L’Étape du Tour (Foto: Divulgação)

Já é perceptível como a cultura das bicicletas têm mudado o cenário de algumas cidades brasileiras. Seja por meio de políticas públicas, incentivo da própria população ou de ciclistas insistentes, a bicicleta ganha cada vez mais espaço como transporte, lazer ou esporte. É em meio a esse movimento que o Brasil sediará nos próximos meses duas provas do L’Étape du Tour, o 'evento para amadores' da maior prova de ciclismo do mundo, o Tour de France. Com investimento de R$ 13 milhões, a primeira delas ocorre no dia 25 de outubro em Cunha (SP) e poderá receber até 3 mil participantes. Já, em março, é a vez de Recife (PE) sediar a prova. 

Quem está por trás dessa iniciativa é o empresário Márcio Flores, CEO do Grupo Manga. Ciclista amador, Flores participou de uma das etapas europeias e ficou se perguntando se um dia poderia pedalar aquele circuito no Brasil. A oportunidade surgiu quando conheceu os organizadores do tour. Mas as negociações saíram do papel quando ele associou-se à Amaury Sports Organisation (ASO), organização responsável pelas provas ciclísticas na França. O acordo inclui consultoria direta dos francesas para que as provas no Brasil ocorram no mesmo padrão – de segurança e logística.

O L’Étape du Tour foi criado em 1993 na França para suprir uma demanda que vinha se tornando cada vez maior: o desejo de ciclistas amadores participarem do Tour de France. A prova centenária, iniciada em 1903, reúne os 200 melhores ciclistas do ano que percorrem um total de 3,6 mil quilômetros pela França e países vizinhos. 

Neste ano, a prova chega ao Brasil e à Inglaterra. "É uma oportunidade para quem não está entre os 200 melhores ciclistas do mundo de ter um gostinho do percurso e da dimensão da prova", diz Flores. Em média, 450 brasileiros se deslocam por ano para participar da etapa na França. As inscrições já estão abertas para a prova em Cunha e custam de R$ 690 a R$ 850. 
 

O padrão francês de pedalar 

 

A primeira etapa do L’Étape du Tour no Brasil terá 112km com 2.870m de ascensão. Os ciclistas largarão em Cunha (SP), a 890m de altitude, em direção à divisa com o Rio de Janeiro (1.529 m). A primeira parte, com 28 km, é formada praticamente por subidas. Para montar a logística e todo o aparato de segurança e preparação da cidade, entra a experiência dos franceses, segundo Flores. Lá na França, aliás, há um departameto específico que cuida só de ações em "eventos massivos".  "A princípio, só pensamos na experiência em cima da bicicleta, mas para os franceses os problemas são muito além. Por exemplo: espaços para criar bolsões de estacionamento, onde o ciclista vai chegar. Tem quer ser perto da largada para ele não se cansar". Há todo um procedimento padrão que será replicado nesta etapa com relação a condutas pós acidente ou adaptações em caso de chuva. 

Além disso, segundo o empresário, é preciso realizar treinamento de funcionários de hotéis e pousadas de Cunha e das cidades próximas para receber o ciclista com seu equipamento. Gerar novos leitos também é um desafio em um evento como esse. "Cunha, por exemplo, só tem 200 leitos. Mas só de atletas participando da prova, são mais de três mil". 

Os franceses também ajudaram Flores a criar novos tipos de experiência para o público. Um deles é a modalidade fã, voltado para aquelas pessoas que não conseguem pedalar todo o circuito, mas gostariam de participar de algum modo da prova. "Eles ganham a camisa, participam de promoções, podem ser sorteados para pedalar com um famoso. Queremos criar o sócio torcedor do ciclismo", diz. Os fãs pagam três vezes menos o valor da inscrição, R$ 180.

Circuito da Cunha - L’Étape du Tour (Foto: Divulgação)
Por que Cunha e Recife

 

 

A escolha das cidades está relacionada a questões geográficas, à relação da população com a bicicleta e também apoio político. "Cunha tem características geografícas que a fazem muito parecida com a França, como a altimetria, visual e índice pluviométrico" . Já Recife acabou de inaugurar uma ciclofaixa por onde passam, segundo dados levantados por Flores, 40 mil pessoas por final de semana. Lá, a prova vai precisar ganhar mais adaptações porque é uma cidade mais plana. "Vai ser parecido com o circuito montado em Londres".  Além de contar com o apoio político dos prefeitos das duas cidades, Flores também está fechando patrocínios para financiar a estrutura. A expectativa é ter um faturamento de R$ 19 milhões com o evento. 

Revista Época Negócios