Lideranças divergem sobre alta nos impostos

By | 21/01/2015

A indústria, principal afetada com as medidas anunciadas na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reclama do peso que deverá carregar para que o governo federal ajuste suas contas. Por outro lado, representantes do setor em âmbitos local e nacional dividem-se ao apontar como necessários, ou não, os aumentos tributários apresentados.

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Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart, "o Brasil está vivendo o momento da realidade". "Vivemos 12 anos de um governo que tomou medidas que levavam sempre ao consumo exacerbado pela sociedade e com nível de emprego garantido. E conseguiu. Só que não fez isso orquestrado com a garantia de infraestrutura, de portos, aeroportos, recursos hídricos, e a indústria não pôde dar continuidade ao seu programa de competitividade. E agora estamos tendo que ter esse reajuste na área fiscal", afirma.

Ele reforça que não defende o ajuste fiscal, mas esclarece: "ou faz, ou o Brasil quebra". "Houve irresponsabilidade nos últimos anos. Sou contra o aumento nos impostos, mas ele é imperioso. A indústria vai sentir, principalmente aquela que tem mais componentes importados. A sociedade vai sentir, com aumento nos combustíveis. É uma redução na atividade econômica" analisa. Segundo ele, os setores têxtil, siderúrgico e as mineradoras serão os maiores prejudicados. "A indústria vai pagar muito caro por isso. Vamos acompanhar no dia a dia. Não temos noção do tamanho do prejuízo". Por outro lado, ele diz que as medidas irão restaurar a confiança na economia brasileira. "Os investidores estrangeiros, por sua vez, vão perceber isso e ver que o Brasil está no caminho certo", diz.

Novo aumento

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Paulo Skaf, afirmou ser contrário às medidas e disse, em artigo, que a indústria não aceitará um novo aumento da carga tributária. "Na nossa visão, há, sim, espaço para um ajuste concentrado no corte de despesas que não comprometam o bom andamento do serviço público, sem que seja necessário sacrificar investimentos e penalizar a sociedade com mais tributos. Este é o nosso limite: não podemos e não vamos aceitar mais aumento de impostos", defendeu.

Ele lembrou que, há 20 anos, o Brasil possuía uma carga tributária de 25% do PIB, o que era uma taxa próxima a de países com grau de desenvolvimento semelhante. Esse percentual, atualmente, subiu para 37%. "Não bastasse o peso excessivo dos impostos, ainda somos obrigados a conviver com excesso de normas, dubiedades e crescente judicialização da questão fiscal, o que onera o setor produtivo e inibe o investimento", disse.

Skaf citou o relatório Doing Business, do Banco Mundial, que informa que, nos países da América Latina, as empresas gastam, em média, 365 horas por ano com cálculo de impostos. Os países da OCDE, considerados desenvolvidos, gastam 175 horas. "O Brasil, em particular, está situado numa espécie de estratosfera, com nada menos do que 2.600 horas consumidas por ano com cálculo de impostos. Inegavelmente, um desperdício de tempo, talento e energia dos brasileiros para sustentar a burocracia do fisco", critica. (SS)

CNI: confiança é a menor em 16 anos

Brasília. O empresariado de 32 setores da indústria de transformação, extrativista e da construção civil começa 2015 com uma baixa confiança na economia brasileira. A expectativa verificada em janeiro é a menor para o mês desde 1999, conforme o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado ontem, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Com o recuo, o índice retoma trajetória de queda que havia sido interrompida em dezembro (45,2 pontos), quando tinha registrado crescimento de 0,4 ponto", afirma a pesquisa.

O índice atingiu 44,4 pontos, contra 53,1 pontos de janeiro de 2014. A pontuação abaixo de 50 indica falta de confiança. Nas pequenas e nas grandes empresas, o indicador foi de 45,5 pontos e, nas médias, de 42,9 pontos. A confiança é menor na região Sudeste, com 40,8 pontos, seguido pelo Sul (42,8). A região Norte tem o melhor pontuação (49,5), seguida por Nordeste (48,1) e Centro-Oeste (45,8).

Expectativas

De acordo com a CNI, em relação à expectativas, o índice recuou 0,5 ponto, atingindo 48,7 pontos. "A queda deve-se à uma piora da expectativa com relação à economia brasileira, que se tornou mais pessimista", registrou o levantamento.

Já o indicador sobre as condições atuais da economia recuou 1,7 ponto em relação a dezembro, marcando 35,7 pontos. É a menor pontuação para esse segmento da pesquisa desde abril de 2009, informou a CNI, apontando ainda o resultado como uma revelação da "percepção de piora intensa das condições atuais nos últimos meses".

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