Líder opositor da Malásia recebe nova pena de prisão por sodomia

By | 10/02/2015

O mais alto tribunal da Malásia rejeitou nesta terça-feira um recurso do líder de oposição Anwar Ibrahim contra uma condenação por sodomia, e o político que representa a maior ameaça à longeva coalizão de governo irá voltar para a prisão por cinco anos.

O Alto Comissariado das ONU para os Direitos Humanos e a Austrália afirmaram estar decepcionados com o veredicto. A instituição humanitária Human Rights Watch repudiou a decisão, que vê como perseguição, e a Anistia Internacional declarou que ela terá um efeito deletério na liberdade de expressão.

Anwar, estrela em ascensão no partido governista em meados dos anos 1990 antes de se desentender com o então primeiro-ministro, Mahathir Mohamad, negou a acusação que levou à sua segunda condenação por sodomia, que diz ser uma farsa para acabar com sua carreira política.

“Irei para a prisão pela terceira vez, mas tenham certeza de que irei com a cabeça erguida”, disse Anwar em tom desafiador no comunicado que leu no tribunal. “Insisto em minha inocência”.

O governo do premiê, Najib Razak, repudiou qualquer insinuação de interferência no caso.

“A Malásia tem um judiciário independente, e houve muitos veredictos contra figuras do alto escalão do governo”, afirmou o gabinete em uma declaração após a decisão.

Anwar criticou a corte dizendo que, ao rejeitar sua apelação, está “se curvando aos ditames dos mestres políticos”.

“Vocês escolheram ficar do lado ruim e afogar sua moral e seus escrúpulos em um mar de falsidade e subterfúgio”, disse ele aos juízes que se retiraram do tribunal enquanto ele falava. “Não irei me render”.

Em março passado, uma corte considerou o ex-vice-primeiro-ministro de 67 anos culpado de sodomizar um ex-assessor político. A condenação o impede de exercer cargo público e de disputar a próxima eleição, que deve ocorrer em 2018.

Anwar é o líder de uma aliança de oposição de três partidos que obteve vitórias surpreendentes na eleição geral de 2013, na qual surgiu pela primeira vez a possibilidade de um desafio real para a coalizão que governa a Malásia desde sua independência, em 1957.

A decisão contra ele cria a perspectiva de uma nova onda de agitação política que pode tornar os investidores ainda mais temerosos de investir em uma economia muito dependente do petróleo e gás em um momento de queda nos preços dessas commodities.

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