Libéria aplicará vacina contra ebola

By | 24/01/2015

Londres O primeiro carregamento da vacina experimental para o ebola produzida pela farmacêutica GlaxoSmithKline foi enviado à África Ocidental e chegaria primeiro à Libéria, informou a empresa britânica.

Na última quinta-feira (22), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto da doença na África Ocidental, o pior já registrado, parece estar regredindo, mas alertou contra o relaxamento. A epidemia causou 21.724 casos em nove países desde que começou na Guiné há um ano, e cerca de 8.641 pessoas morreram.

A remessa inicial de 300 ampolas de vacina da GSK será a primeira a chegar a um dos três países africanos mais afetados pela epidemia, afirmou a farmacêutica em comunicado.

Ela será usada nos primeiros testes de larga escala da vacina nas próximas semanas, e os agentes de saúde que ajudam a cuidar dos pacientes estarão entre os primeiros a recebê-la.

Os pesquisadores esperam inscrever até 30 mil pessoas na fase de testes, um terço dos quais devem receber a vacina da GSK.

O medicamento, co-desenvolvido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e pela Okairos, empresa de biotecnologia comprada pela GSK em 2013, está sendo usado atualmente em testes de segurança de fase I na Grã-Bretanha, nos EUA, na Suíça e no Mali, com cerca de 200 voluntários.

A vacina usa um tipo de vírus congelado de chimpanzé para fornecer material genético seguro da cepa de ebola do Zaire, responsável por esta epidemia.

Dados mostram que a vacina é segura para humanos, incluindo a população da região africana mais atingida, e em uma variedade de dosagens, informou a GSK, que já escolheu a dose mais apropriada para a Libéria.

Preocupação

A Organização Mundial da Saúde alertou que o combate à epidemia de ebola continua extremamente difícil e a situação, muito preocupante. Em entrevista coletiva, o diretor-geral adjunto da OMS e responsável pela resposta operacional à epidemia, Bruce Aylward, advertiu contra falsos otimismos. "Faço uma analogia: há seis meses, havia duas cobras na cama, e ninguém podia deitar-se ali. Agora, só há uma cobra, mas isso não significa que podemos apagar a luz e dormir", disse Aylward.

Após mais de seis meses, o combate à epidemia que afeta alguns países da África Ocidental deu alguns resultados. Pela primeira vez, os três países registraram, por quatro semanas seguidas, diminuição de contágio.

Serra Leoa, por exemplo, suspendeu ontem medidas de quarentena impostas no auge da epidemia de febre hemorrágica. Nos últimos 21 dias (o período de incubação do vírus é de aproximadamente três semanas), foram registrados 463 casos, entre suspeitos e prováveis, em Serra Leoa; 109 na Guiné Conacri e 21 na Libéria, "o que constitui uma redução substancial, uma tendência muito bem-vinda", acrescentou o diretor.

Aylward ressaltou, porém, que a OMS está preocupada porque essa diminuição de casos "pode originar uma certa indolência", que seria o pior risco. Atualmente, um dos aspetos mais preocupantes é que só 50% das infecções têm origem em uma lista de contatos, o que significa que existem muitos núcleos de transmissão desconhecidos.

Segundo Aylward, outro aspeto preocupante é o fato de existir uma forte transmissão nas capitais, situação que dificulta o controle do contágio, dado o grande número de pessoas, as constantes movimentações, a falta de controle social e as migrações.

Combate

A OMS deve ficar sem recursos em meados de fevereiro. "Ficamos sem dinheiro em meados de fevereiro, isso é quatro ou cinco meses antes de o vírus parar no melhor dos cenários", disse ele a jornalistas em Genebra. "Se a gente entrar na temporada de chuvas com a doença, estaremos olhando para mais um ano difícil ou mais", acrescentou Aylward.

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