Japão diz que não cederá ao EI

By | 24/01/2015

Tóquio. O governo japonês informou ontem que continuaria fazendo contatos para tentar liberar dois cidadãos do país mantidos reféns pelo Estado Islâmico (EI), horas após o fim do prazo dado pela milícia radical para pagamento de resgate.

Em vídeo divulgado na última terça-feira (20), a facção exigiu que os japoneses pagassem US$ 200 milhões (R$ 520 milhões) para ter de volta o jornalista Kenji Goto, 47, e o empresário do setor de defesa Haruna Yukawa, 42, capturados na Síria.

O valor é o mesmo oferecido na semana passada pelo primeiro-ministro nipônico, Shinzo Abe, aos rebeldes sírios e ao governo do Iraque para ajudar no combate à milícia em seus territórios. Em entrevista coletiva, o porta-voz do governo, Yoshihide Suga, disse que ainda não recebeu nenhuma mensagem da facção e que o governo japonês continuaria a tentar resolver a situação dos reféns, que considerou como grave.

Embora tenha dito que o país manteria a busca pelos japoneses capturados, Suga reiterou que o Japão não cederá às ameaças terroristas e que não vai pagar o resgate.

Nos casos em que não houve pagamento, os militantes do EI decapitaram as vítimas.

Shinzo Abe chegou a considerar a possibilidade de um ataque ao Estado Islâmico em reunião com ministros ontem.

O bombardeio, porém, foi descartado devido ao impedimento que a lei coloca para ações do Exército japonês no exterior.

Durante a manhã de ontem (ainda noite de quinta-feira no Brasil), o canal japonês NHK disse ter recebido mensagem de um assessor do Estado Islâmico que teria afirmado que a milícia faria um comunicado em breve.

Em fóruns e sites de radicais islâmicos na internet, militantes aliados da facção fizeram mensagens em referência ao fim da contagem regressiva. Em um deles, aparecia um relógio chegando ao zero com imagens de outros reféns decapitados.

Apelo

Poucas horas antes do fim do prazo dado pelo Estado Islâmico, a mãe do jornalista Kenji Goto, Junko Ishido, pediu ao governo que salvasse o seu filho, em um apelo emocionado a jornalistas estrangeiros em Tóquio. "O tempo está acabando. Por favor, salvem a vida de Kenji", disse. "Membros de EI, por favor, libertem-no, Kenji não é seu inimigo", disse. Goto é um correspondente conhecido no Japão e foi à Síria com a intenção de cobrir o conflito.

Ataque

Sete pessoas, entre elas dois jornalistas, foram mortas ontem pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) no setor de Mouqdadiyah, 90 km a nordeste de Bagdá. Ali al-Ansari e um segundo jornalista da emissora via satélite Al-Ghadeer foram mortos, informou o encarregado local da TV, Karim Fadhel.

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