Institutos alertam para aquisição da casa própria

By | 22/01/2015

O trabalhador que pensa em adquirir a casa própria neste momento deve rever sua intenção, adotar uma postura de cautela e aguardar um pouco mais, antes de assinar um contrato de financiamento. A dica é do presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), Geraldo Tardin. Ontem, entrou em vigora as novas taxas de juros para o financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal, tanto para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) quanto para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e o impacto para o mutuário será de até 14,3%, nas prestações.

"Se ele está pesquisando para comprar, o conselho é que, nos próximos dois anos, reveja essa opção. É um período de inflação e o contrato, além dos juros, é corrigido pela TR (Taxa Referencial). Com a previsão de inflação neste ano e no início do próximo, os contratos vão subir muito".

Com os contratos pesando mais no bolso do trabalhador, outro problema é o risco de o comprador ter que devolver o imóvel, uma vez que terá dificuldade para pagar as prestações. "Se ele já está devendo e contrair nova dívida, terá dificuldade de pagar também as prestações da casa própria", disse.

Renda comprometida

No caso da pessoa que já escolheu o imóvel, o representante do Ibedec aconselha que não comprometa mais de 20% da renda. "A lei permite 30%, mas, se ela comprometer 20%, terá condições de passar por esse momento de forma mais tranquila. Ele pode, também, dar uma entrada maior, fazendo uma poupança antes ou comprar um imóvel de menor valor, desde que a prestação se encaixe em 20% do orçamento", destacou Tardin.

Aqueles que pouparem para dar uma entrada maior podem ser beneficiados pela alta de estoque de imóveis, uma vez que a elevação dos juros pode reduzir a procura. Segundo Geraldo Tardin, a queda na procura poder criar um cenário com boas ofertas para os interessados.

Já o presidente da Associação Nacional dos Mutuários, Marcelo Augusto Luz, pondera que mesmo as taxas anteriores já eram consideradas altas. Para Marcelo Luz, os compradores de imóvel na planta que adquirirem das construtoras, para fazer uso do financiamento bancário, principalmente o da Caixa, também serão prejudicados.

"Já se alterou o plano de compra do imóvel, porque a partir do momento em que for fechar o financiamento, encontrará taxa a maior. Esses compradores vão ter dificuldades nas primeiras prestações e no aumento da dívida porque o saldo devedor acaba sendo alterado para mais", afirmou Marcelo Augusto.

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