Inflação pode ficar acima de 7% neste ano

By | 20/01/2015

O pacote com aumento de impostos anunciado na noite da última segunda-feira (19) pelo governo federal, que incluiu tributos sobre combustíveis, piorou ainda mais as expectativas de inflação para este ano, com projeções acima de 7%, cada vez mais longe do teto da meta oficial.

Se confirmada, a alta anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seria a maior em mais de uma década, mas ainda não o suficiente para especialistas acreditarem em aperto monetário maior pelo Banco Central, uma vez que a atividade econômica fraca e a perspectiva de maior rigor fiscal devem, com o tempo, gerar alívio nos preços.

"Fundamentalmente, vai sobrar para a atividade", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, que elevou em 0,5 ponto percentual a sua estimativa de alta do IPCA para este ano, a 7,3%, após o anúncio do pacote de medidas fiscais.

Histórico

A última vez que a inflação oficial do país ficou acima de 7% foi em 2004, quando o IPCA subiu 7,6%. A meta oficial é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Última pesquisa Focus do BC com economistas de instituições financeiras, feita antes do aumentos dos tributos, mostrou que as estimativas eram de que o IPCA subiria 6,67% neste ano, com expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,38%.

Impacto para o consumidor

Entre as quatro medidas tributárias divulgadas na véspera, que devem elevar a arrecadação neste ano em R$ 20,63 bilhões, a que pesa mais sobre os preços é o aumento das alíquotas da Cide e do PIS/Cofins que incidem sobre combustíveis.

Como a Petrobras já informou que os impostos serão repassados aos preços aos consumidores, Gonçalves espera que o preço da gasolina suba entre 8% e 9% na bomba e o do diesel, cerca de 3%.

Mesmo com a piora cada mais acentuada sobre as expectativas de inflação, especialistas consultados pela Reuters não esperam que o BC possa ser mais agressivo na elevação da taxa básica de juro, hoje em 11,75 por cento ao ano, para não afetar ainda mais a já frágil atividade econômica.

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