Inadimplência avança em internet e TV por assinatura

By | 28/01/2015

A inadimplência do consumidor com empresas de telecomunicações, que prestam serviços de telefonia, acesso à internet e TV por assinatura, tem apresentado crescimento superior aos demais setores da economia brasileira. Segundo o indicador calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), enquanto a inadimplência total no País vem desacelerando – em dezembro último o crescimento do total de dívidas não pagas foi de 3,19%, ante 5,43% em agosto de 2014 -, a quantidade de contas atrasadas no setor subiu 16,2%, a maior alta em 24 meses. No Nordeste, o avanço foi ainda maior, de 21,24%, na comparação com igual mês do ano anterior.

A tendência também se reflete no aumento da participação do setor de telefonia, internet e TV por assinatura no total de dívidas registradas no Brasil. Desde janeiro de 2010, quando teve início a série histórica revisada do SPC Brasil, a participação do setor quase dobrou, passando de 8,70% para 15,82%.

Os dados apurados pelo SPC Brasil mostram ainda que a maior parte das dívidas pertence aos consumidores com idade entre 30 e 39 anos (27,79%), seguido pelos devedores de 40 a 49 anos (19,49%), de 50 e 64 anos (16,13%) e pelos que têm idade entre 25 e 29 anos (14,43%).

A abertura dos dados por tempo de atraso da dívida revela que as mais antigas, com mais de 90 dias de atraso, tiveram alta de 16,26%. A faixa concentra mais de 99% das dívidas de telecomunicações. Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o aumento expressivo do número de dívidas no segmento acompanha a presença de serviços como TV por assinatura e internet na vida dos brasileiros.

Opinião do especialista

No curto prazo, tendência é de mais atrasos

Pelos dados que nós temos na Fecomércio, é possível vislumbrar dois cenários. Em um longo prazo, por exemplo, a tendência é que a inadimplência recue, como vem acontecendo ao longo dos últimos anos. Isso porque a ascensão da classe média e o maior acesso ao mercado de trabalho têm possibilitado que as pessoas arquem com suas dívidas. Em um curto prazo, porém, acredito que haverá um aumento no número de inadimplentes, tendo em vista que, neste começo de ano, as pessoas ainda estão pagando as contas do Natal e também precisam arcar com impostos, custos adicionais, além, é claro, da inflação, que já está projetada em 7%. É claro que, quando a situação começa a apertar, o consumidor passa a cortar gastos com bens duráveis e semiduráveis, mas isso nem sempre é suficiente.

Alex Araújo
Economista e diretor da Fecomércio-CE

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