Haddad cobra do governo e da Sabesp comunicação mais eficiente

By | 29/01/2015
água, torneira, crise hídrica, cantareira (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Em coletiva após a reunião de prefeitos da região metropolitana para tratar da crise hídrica, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), cobrou da Sabesp e do governo do Estado um plano de comunicação "mais efetivo" para alertar a população sobre a situação do abastecimento em São Paulo.

A criação de um comitê de crise e de um plano de contingência são as outras duas reivindicações dos prefeitos que se reuniram nesta quarta-feira (28/01), na capital com o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, que prometeu dar uma resposta às reivindicações em dez dias.

O prefeito da capital disse que ficou sabendo do "duro" plano de racionamento pelos jornais. Ontem, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, afirmou que o rodízio poderia chegar a cinco dias sem água por dois com abastecimento. "Foi uma surpresa tão grande pra nós quanto para vocês", disse o petista. 

O prefeito de São Paulo justificou o pedido por uma comunicação mais eficiente dizendo que parte da população está "desavisada" sobre a gravidade da crise. "O cenário de dois, três meses atrás divulgado pelas autoridades competentes era de que não faltaria água. Este era o cenário com o qual se trabalhava até outubro, novembro do ano passado", criticou Haddad.

O comitê de crise, também reivindicado pelos prefeitos da região metropolitana, teria a participação das concessionárias responsáveis pelo abastecimento e dos governos municipais e estadual. Apesar disso, a Sabesp não participou desta primeira reunião. Segundo Haddad, foi uma opção de Braga, que queria fazer uma "discussão prévia". O secretário se comprometeu a falar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a comparecer à próxima reunião com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Outra demanda do grupo de prefeitos é a criação de um plano de contingência em caso de agravamento ainda maior da situação. O plano envolve um acompanhamento diário da situação da crise e consequentes reações de acordo com o quadro avaliado. "É elaborar cenários que podem mudar de acordo com a precipitação e, a partir de cada cenário, adotar providências para evitar colapso de abastecimento", explicou, citando ainda a necessidade de um esquema especial para garantir o funcionamento de escolas e hospitais.

Haddad anunciou hoje que deve encaminhar o mais rápido possível à Câmara de Vereadores projeto de lei para punir consumidores pelo uso abusivo de água, como lavar calçadas.

Posicionamento estadual
Benedito Braga tentou passar uma mensagem de tranquilidade após a fala de ontem do diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, que mencionou a possibilidade de um rodízio no fornecimento de cinco dias sem água para dois com abastecimento.

Segundo o secretário, "todas as alternativas" de racionamento estão em estudo, mas nada será feito sem a devida comunicação aos prefeitos e à população.

"Se isso (o rodízio) vier a acontecer, todo mundo será informado com a devida antecedência. Não é da noite para o dia. A situação é difícil, sem dúvida nenhuma, mas não há necessidade para ficar em desespero", disse Braga a jornalistas. Sobre a probabilidade de haver o racionamento, Braga disse que a previsão meteorológica hoje "é difícil" e que será necessário aguardar pelas chuvas de fevereiro para saber qual medida será necessária.

Ele afirmou que as alternativas estão sendo estudadas e que, em caso de rodízio, pequenas obras serão necessárias, sem contudo detalhar quais são. O secretário disse também que serão analisadas formas de não comprometer o fornecimento a locais com escolas, hospitais e presídios.

Questionado por que só agora o racionamento de água está sendo discutido, Braga disse que o governo e a Sabesp vêm "tomando medidas adaptativamente" e alegou que ninguém previa que esse verão teria tão baixo índice de chuvas, com uma crise "do tamanho" que aconteceu neste janeiro.

"Nenhum meteorologista previa, de novo em janeiro, uma situação de chuvas de 20% da média (histórica para o mês). É uma situação muito complicada e, agora, temos que adotar todas as medidas que estão a nosso alcance e são aquelas que os prefeitos vão tomar", disse.

Revista Época Negócios