Fábricas conectadas, o desafio do futuro

By | 30/01/2015
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Indústria, automação (Foto: Thinkstock)

Nos últimos 50 anos, o avanço da automação permitiu que um grande complexo industrial seja gerido remotamente. Mesmo do outro lado do mundo, um gerente pode acompanhar a produção pelo computador instalado em sua casa, monitorar atividades por câmeras de vídeo, reconfigurar remotamente um equipamento pelo tablet ou checar as mais recentes estatísticas de produção por um aplicativo de smartphone. A revolução da Indústria 4.0, definida pelo conceito de “fábricas conectadas”, ganhou mais velocidade nos últimos tempos: segundo projeção do Gartner Group, por volta de 2020 teremos 30 bilhões de equipamentos conectados com endereços de IP próprios.

Mas essa alta conectividade não trará eficiência por si só às fábricas: será necessário criar mecanismos para administrar e digerir as montanhas de dados gerados por essas atividades. O consultor Mike Granby, da Red Lion Controls, destaca três medidas nesse sentido:

Equipamentos devem falar a mesma linguagem – Um dos problemas das fábricas conectadas é o uso de modelos com protocolos antigos que não se comunicam com equipamentos mais modernos, impedindo o bom fluxo de dados. Para superar isso, é necessário adotar uma combinação mais complexa de equipamento que garanta a compatibilidade de protocolos

Eficiência operacional deve ser repensada para permitir maior comunicação entre equipamentos – Conectar-se a equipamentos localizados em regiões remotas garante acesso a dados em tempo real e facilita o reparo em caso de falha. E o valor dessas conexões aumenta exponencialmente quanto maior for o número de equipamentos integrados a essa rede.

Plataforma para esses equipamentos deve ser única e integrada – Estabelecer endereços de IP para cada equipamento pode se tornar um pesadelo técnico por causa da necessidade de banda cada vez mais larga, excesso de dados e congestionamento de informações. Isso pode ser evitado com a adoção de uma plataforma integrada e capaz de abrigar diferentes equipamentos, como sensores, PLCs (ou controlador programável, um computador digital usado para automação) e HMIs (ou interfaces homem-máquina).

Portanto, na opinião de Granby, o valor da Indústria 4.0 não estará em seu número de conexões em si, mas sim na criação de conexões mais eficientes e nos ganhos de competitividade obtidos pelo diálogo harmonioso entre equipamentos e pessoas que os administram. Esse avanço não requer necessariamente nas instalações ou novo maquinário: o desafio é adotar novas abordagens sobre a automação e uma integração criteriosa de seus componentes.

Revista Época Negócios