Explosão em plataforma da Petrobras deixa 3 mortos e 6 desaparecidos

By | 12/02/2015
A plataforma FPSO-ES, fabricada em Singapura, é responsável pela produção no Parque das Conchas. (Foto: Divulgação)

Três pessoas morreram em decorrência de uma explosão numa plataforma da Petrobras, operada pela empresa BW Offshore, na cidade de São Matheus, no Espírito Santo. Segundo a estatal confirmou em nota, do total de 74 trabalhadores embarcados, há ainda seis trabalhadores desaparecidos e outros dez feridos.

O acidente ocorreu por volta de 12h50. "A Petrobras lamenta informar a ocorrência nesta quarta-feira", diz o texto. "A BW está prestando toda a assistência aos seus funcionários e familiares, com apoio da Petrobras."

O acidente foi controlado a partir do imediato acionamento do Plano de Emergência com a mobilização de todos os recursos necessários, segundo a estatal. As operações da plataforma foram interrompidas. A produção da unidade era de cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural.

A Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo informou que 14 ambulâncias foram deslocadas ao aeroporto de Vitória para receber as vítimas do acidente, que chegariam de helicóptero. No entanto, o governo capixaba afirma que não tem um levantamento ainda sobre o número de vítimas.

Segundo a Infraero, um plano de contingência foi acionado no Aeroporto de Vitória para atender aos trabalhadores que estavam na plataforma na hora da explosão. Uma área foi reservada para pousos e decolagens de helicópteros que fazem o socorro às vítimas, e o trânsito de ambulâncias na região foi facilitado. O órgão informou ainda que os pousos e decolagens no terminal ocorrem normalmente.

BW Offshore é segunda maior contratante de serviços de produção ao mar do mundo
A BW Offshore é a segunda maior contratante do mundo de serviços de produção ao mar para a indústria de petróleo e gás, de acordo com informações do site da companhia.

A companhia possui 14 FPSO (plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e uma FSO (flutuação, armazenamento e transferência.) No Brasil, aluga três FPSOs, sendo duas para a Petrobras e uma para a BP.

A FPSO Cidade de São Mateus foi entregue para a Petrobras em 2009, com previsão do contrato até 2018. A unidade tem capacidade de armazenar até 700 mil barris de petróleo.
Além desse navio, a estatal aluga o navio-plataforma FPSO Cidade de São Vicente, no campo de Lula. No campo Polvo, está em operação pela BP a terceira FPSO da empresa. A BW Offshore atua na Europa, Ásia, África Ocidental e na América do Sul e do Norte (México). A empresa está listada na Bolsa de Valores de Oslo.

Capitania dos Portos abrirá inquérito sobre acidente em plataforma da Petrobras
A Capitania dos Portos do Espírito Santos (CPES) vai abrir um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as causas e responsabilidades na explosão ocorrida no início da tarde desta quarta-feira, 11, na FPSO Cidade de São Mateus, navio-plataforma operado pela empresa BW Offshore e afretado pela Petrobras, no litoral de Aracruz, no Espírito Santo. Até o momento, três pessoas morreram, dez ficaram feridas e seis estão desaparecidas.

O prazo para a conclusão das investigações é de 90 dias. Segundo a CPES, a abertura de inquérito é um procedimento padrão em casos de acidentes marítimos.
Em nota, o órgão informa ainda que a Marinha do Brasil deslocou um navio e duas aeronaves para a área do acidente, "com a prioridade inicial de realizar a evacuação de pessoal e remover as vítimas para os hospitais da Grande Vitória".

Acidente com plataforma reflete deficiências de fiscalização do setor, diz FUP
O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, diz que tudo indica que o acidente com o navio-plataforma FPSO será de grandes proporções. De acordo com Rangel, o episódio reflete as deficiências da fiscalização dessas unidades de produção de petróleo pelos órgãos governamentais: a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Ministério do Trabalho e a Marinha.

"A atividade de exploração de petróleo cresceu de forma muito rápida no País e esses órgãos não se prepararam para isso. Não há auditores suficientes para acompanhar essas plataformas", diz Rangel. No caso de uma plataforma operada por um terceiro, nesse caso a empresa BW Offshore, a Petrobras tem a obrigação de ter um fiscal da área de saúde e segurança no local, mas em geral a tripulação costuma ser em sua maior parte terceirizada, explica Rangel. O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) condena essa prática, por considerar que ela precariza o trabalho e aumenta os riscos de acidentes.

Segundo o coordenador da FUP, a plataforma Cidade de São Mateus foi construída em 1988 e começou a operar para a Petrobras neste local em 2009. O último grande acidente em plataformas da Petrobras ocorreu em março de 2001, quando duas explosões na plataforma P-36 deixaram 11 mortos.

A FUP defende que as operadoras de petróleo rateiem os custos de criação de um sistema de busca e salvamento, não deixando esse aparelhamento a cargo apenas do setor público.

 

Revista Época Negócios