Estudo mostra que 121 milhões estão fora da escola

By | 29/01/2015

Nova York. O relatório Corrigindo a Promessa Quebrada da Educação para Todos, recém-lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra que 121 milhões de crianças e adolescentes no mundo não frequentam a escola.

O estudo é da Iniciativa Global sobre Crianças Fora da Escola, um projeto lançado em 2010 pelo Unicef e pelo Instituto de Estatística da Unesco, para auxiliar os participantes no desenvolvimento de estratégias baseadas em dados que possibilitem a diminuição do número de crianças e adolescentes sem estudo.

Adolescentes

De acordo com o documento, apesar dos progressos registrados na inscrição de crianças no ensino básico de todo o mundo há 58 milhões de crianças entre 6 e 11 anos que não frequentam a escola. Se a tendência atual continuar, duas crianças em cada cinco – 15 milhões de moças e 10 milhões de rapazes – dificilmente entrarão numa sala de aula, informa o relatório.

Dessas crianças, 23% já frequentaram a escola mas a abandonaram, 34% poderão entrar na escola futuramente e 43% provavelmente nunca terão essa experiência. No ciclo de ensino seguinte, entre os 12 e 14 anos, há 63 milhões de adolescentes fora da escola – 5 milhões a mais do que no ensino básico, apesar de as crianças em idade para frequentar o ensino básico (650 milhões) serem quase duas vezes mais do que as que estão em idade de frequentar o ciclo de ensino seguinte (374 milhões).

Embora o acesso à educação tenha aumentado consideravelmente no início do milênio, esse progresso estagnou em 2007 com 9% das crianças no ensino básico (6 a 11 anos) e 18% no ciclo de ensino seguinte (12 a 14 anos) fora da escola.

De acordo com o relatório, as regiões com maior percentagem de crianças e adolescentes fora da escola, no mundo, são a África Ocidental e Central – 27% de crianças e 40% de adolescentes, respectivamente -, a África Oriental e do Sul – 15% e 27% – e o Sul da Ásia – 6% e 26% das crianças e adolescentes.

Pobreza

As razões para a ausência da escola são várias, complexas e estão muitas vezes interligadas, com o documento identificando cinco grandes obstáculos à educação: situações de conflito, discriminação de gênero, trabalho infantil, dificuldades linguísticas e deficiência. Qualquer desses problemas se torna mais difícil de superar quando associado à pobreza.

Um exemplo característico é o da criança que tem de trabalhar para ganhar dinheiro para casa, contrariando esperança da própria família de lhe proporcionar educação, pois esta, geralmente, custa dinheiro que a família não possui.

No relatório é destacado que remover custos diretos e indiretos associados à educação é a forma mais eficaz de combater trabalho infantil. O Unicef ressalta que atrair crianças assim para as aulas e mantê-las na escola exigem ambientes de aprendizagem melhorados e sistemas educativos mais flexíveis e reativos.

Outro aspecto apontado é o fato de as crianças de países afetados por conflitos representarem 20% do total em idade escolar e, simultaneamente, 50% do total de crianças fora da escola.

Objetivos do Milênio

A educação básica de qualidade para todos foi definida, em 2000, como um dos Objetivos do Milênio (ODM) pela Organização das Nações Unidas (ONU), que analisou metas para atacar os maiores problemas mundiais. As metas deveriam ser atingidas por todos os países até 2015.

Em relação à educação no Brasil, os dados mais recentes são de 2008 e constam no 4º Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM, de 2008: 94,9% das crianças e jovens entre 7 e 14 anos estão matriculados no ensino fundamental. Nas cidades, o percentual chega a 95,1%.

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