Estado já tem US$ 300 mi para a área hídrica até 2018

By | 15/02/2015

Por meio de parceria com o Banco Mundial, o Governo do Estado já tem US$ 300 milhões garantidos para serem aplicados em abastecimento d’água, módulos sanitários e projetos produtivos nas cadeias de horticultura irrigada, apicultura, piscicultura e ovinocaprinocultura, até o fim de 2018. A informação consta no balanço das ações realizadas pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), de 2011 a 2014, na gestão do então titular da pasta, Nelson Martins.

O recurso foi viabilizado por meio do Projeto São José III, responsável por pequenas obras hídricas no Interior do Ceará. A partir do projeto, 801 ações ligadas a sistemas de abastecimento d’água já foram executadas, somando um total R$ 73,7 milhões em investimentos e beneficiando 63.306 famílias.

Na área de mecanização agrícola, foram entregues 610 tratores com implementos a 38.794 famílias, totalizando R$ 44,2 milhões. Ainda pelo Projeto São José III, foram aplicados um total de R$ 18,7 milhões em 256 projetos produtivos e sociais, beneficiando 12.139 famílias em todo o Estado.

Combate à pobreza

"A SDA já nasceu, em 2007, com o intuito de ser um órgão voltado para o agricultor familiar e ajudar a diminuir a pobreza no campo. Ao longo desses quase oito anos, avançamos muito e ela se transformou em uma das principais secretarias do governo estadual. Temos realizado várias parcerias com o governo federal, sendo referência em alguns programas, como o Garantia Safra. O Ceará é o estado que inclui o maior número de trabalhadores inseridos no programa", observa o atual titular da SDA, Dedé Teixeira.

Para este ano, informa o secretário, quase 350 mil agricultores estão cadastrados para receber o benefício, caso seja confirmada uma perda de safra igual ou superior a 50%.

Água para todos

O secretário fala sobre a importância do Programa Água para Todos, que tem o apoio do Ministério da Integração Nacional. Segundo o balanço da SDA, serão construídos novos sistemas de abastecimento d’água em comunidades rurais cearenses que beneficiem até 200 famílias, além da instalação de mais cisternas de polietileno. Até o momento, 211 sistemas foram concluídos e cerca de 600 estão em execução.

No que se refere às cisternas de polietileno, já foram feitas 34.180 em território cearense. Outras 11.603 ainda devem ser construídas, totalizando um investimento de R$ 52 milhões. Houve, ainda, a perfuração de 395 poços profundos para executar sistemas de abastecimento d’água, e mais 1.400 projetos estão cadastrados.

"Precisamos universalizar e melhorar a qualidade da água no meio rural, tanto para beber quanto para produzir, pois isso agrega renda às famílias. Mesmo com três anos seguidos de seca, o Ceará não sentiu tanto os impactos da estiagem no Nordeste por conta da nossa reserva hídrica. Se entrarmos para o quarto ano, aí sim, teremos dificuldades", alerta Dedé, apontando para o baixo nível dos reservatórios cearenses, que está com 19% da capacidade total. Apenas o Açude Gavião, que também abastece Fortaleza e região metropolitana, está com 93% de sua capacidade.

Questionado se, ao longos das últimas décadas, os governos priorizaram grandes obras hídricas e esqueceram de investir mais em projetos que buscam descentralizar a gestão da água, o secretário diz que muito precisa ser feito. Porém, acrescenta que, no Ceará, esse trabalho vem sendo cada vez mais forte. "Ainda temos que construir mais açudes médio e pequeno porte, além de continuar com a política para a instalação de tecnologias como cisternas e barragens subterrâneas. Estamos criando condições para o armazenamento de água e, ao mesmo tempo, levando assistência técnica e capacitação ao pequeno produtor", declara, lembrando também da relevância de obras como a transposição do Rio São Francisco, do Cinturão das Águas e de novas adutoras.

Dedé Teixeira ressalta que a grande prioridade do governador Camilo Santana será a segurança hídrica. Mesmo em meio a problemas ligados às áreas da educação, segurança e saúde, o secretário aponta para o trabalho que está sendo feito em prol do abastecimento no Interior.

Prioridade

Considerando que 174 dos 184 municípios encontram-se em estado de emergência ou calamidade pública por conta da estiagem, de acordo com dados da Defesa Civil do Ceará, o governo juntou, no mês passado, representantes de diferentes secretárias e elaborou um plano emergencial para ser executado com o apoio do governo federal. Camilo Santana está negociando a aprovação do projeto e deverá anunciá-lo em breve, informa o titular da SDA.

Vale lembrar que, no âmbito das ações emergenciais para minimizar os impactos da estiagem, o Ceará também conta com o Comitê Integrado da Seca, criado em 2012. Conforme dados da SDA, de junho daquele ano até dezembro de 2014, foram investidos R$ 1,5 bilhão em ações voltadas à segurança hídrica. (RS)

Produção cresceu em meio à estiagem

As ações que vêm sendo desenvolvidas no Ceará, tanto por órgãos públicos quanto por entidades não governamentais, para melhorar a convivência dos trabalhadores rurais com o Semiárido, já refletem positivamente no campo. Após dois anos seguidos de queda na produção de grãos de sequeiro e mandioca, em 2012 e 2013, a colheita ligada à agricultura familiar local surpreendeu até os mais otimistas no ano passado.

Mesmo com as chuvas ficando novamente abaixo da média histórica no Ceará, entre fevereiro e maio, a produção das culturas amparadas pelo Programa Garantia Safra, do governo federal, aumentou 214,31% entre janeiro e julho de 2014, em relação a igual período de 2013.

No Ano Internacional da Agricultura Familiar, conforme declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), os produtores cearenses tiveram motivos para comemorar. A boa colheita foi diretamente influenciada pela ampliação de tecnologias de convívio com a seca em comunidades rurais.

Área colhida

De acordo com dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), as áreas das culturas de sequeiro avaliadas em 2014 apresentaram crescimento médio de 35,01% sobre a área colhida em 2013, embora tenham diminuído em 9,38% frente à primeira estimativa do ano.

O órgão aponta que a variação da área colhida em 2014, em relação aos prognósticos iniciais, deve-se principalmente às poucas chuvas na maioria dos municípios, que começaram somente a partir da segunda quinzena de março, com a ocorrência de veranicos extensos. Verificou-se que, da área destinada à colheita, o milho e o feijão apresentaram maior participação no total de grãos, 53,72% e 43,64%, respectivamente, seguidos pela mamona (1,46%). O espaço reservado à mandioca representou 6,14% do total das áreas em sequeiro.

Considerando apenas a produção de grãos, o levantamento da Ematerce mostra um crescimento de 219,38%, enquanto a cultura da mandioca cresceu 209,72%, quando comparada à obtida em 2013.

Desempenho de 2015

Recentemente, a Ematerce divulgou a situação da safra agrícola de sequeiro referente a janeiro de 2015. Na comparação com igual período do ano passado, a produção total foi 39,77% maior. A colheita de grãos aumentou 85,99%, e a cultura da mandioca apresentou uma retração de 3,29%.

O milho participa com 76,33% da estimativa inicial da produção de grãos, seguido pelo feijão (21,19%), arroz (1,14%) e mamona (0,95%). A safra de mandioca representa 35,81% do total da safra de sequeiro esperada para este ano. (RS)

agricultura

Negócios