Endividamento é o maior em 13 meses

By | 21/01/2015

A proporção de endividados em Fortaleza é a maior dos últimos 13 meses, chegando a 66,7% neste mês de janeiro. A taxa teve alta de 0,2 ponto percentual em relação a dezembro último (66,5%) e revela que a porcentagem de consumidores comprometidos com algum tipo de dívida na Capital se estabiliza em patamares elevados. Os dados são da Pesquisa sobre Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pela Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).

O cenário a longo prazo, entretanto, deverá ser de retração no consumo e de dificuldades para a aquisição de novos financiamentos, tendo em vista os aumentos de tributos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito para pessoas físicas – cuja alíquota dobrará de 1,5% para 3% ao ano – anunciados na última segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O diretor técnico da Fecomércio-CE, Alex Araújo, afirma que o leve aumento na proporção de endividados entre o mês anterior e este mês já era esperado "em função do maior consumo em dezembro. Porém, foi uma elevação pequena, o que demonstra que o consumidor evitou contrair novas dívidas", diz.

O economista prevê leve aumento na taxa de endividamento entre janeiro e fevereiro, alavancado pelas liquidações do varejo neste mês, sobretudo com a aquisição de eletrônicos e eletrodomésticos. "Nós também teremos despesas com material escolar, matrícula, e com impostos, como IPTU e IPVA", acrescenta.

Medidas recessivas

Apesar de, a curto prazo, haver a tendência na elevação do consumo e contração de dívidas, o aumento nas tributações anunciadas pelo governo devem impactar de forma negativa nas compras realizadas ao longo do ano e dificultar o acesso ao crédito. "O conjunto de medidas (anunciadas pelo governo federal) é claramente recessivo", avalia Araújo.

O diretor técnico acrescenta que o desaquecimento nas vendas do varejo também deve ser influenciado pelaalta nos juros, prevista para ser anunciada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A pesquisa da Fecomércio-CE também constatou que a taxa de consumidores com dívidas em atraso é de 17,3% em janeiro, o que representa queda de 1,9 ponto percentual em comparação a dezembro. O problema afeta principalmente três grupos: mulheres (18,1%), pessoas com idade entre 25 e 34 anos (22,3%) e indivíduos que têm renda familiar entre cinco e dez salários mínimos (18,7%).

O tempo médio de atraso das dívidas constatado pelo levantamento é de 68 dias. A principal justificativa para o problema é o desequilíbrio financeiro – diferença entre a renda e os gastos correntes -, citado por 68,4% dos entrevistados.

Dentre os tipos de despesas que mais pesam nas dívidas, os gastos com alimentação foram os mais citados (49,3%).

Cartão de crédito

O cartão de crédito permanece sendo o principal instrumento pelo qual consumidores contraem dívidas, citado por 81,7% dos entrevistados. O financiamento bancário (15,4%), os empréstimos pessoais (7,0%) e os carnês e crediários (5,9%) aparecem em seguida.

Segundo a pesquisa, 83,5% dos consumidores de Fortaleza fazem orçamento mensal e acompanhamento dos gastos e rendimentos, o que contribui para o controle dos níveis de endividamento. Uma proporção de 8,5% relatou que faz orçamento dos rendimentos, mas não obtém controle dos gastos.

Murilo Viana
Repórter

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