Dólar passa dos R$ 2,80

By | 10/02/2015
Dólar (Foto: Reprodução Internet)

Sem trégua no mercado de câmbio, o dólar abriu em alta ante o real nesta terça-feira (10/02) em meio à percepção ruim com o quadro doméstico. Os escândalos envolvendo a Petrobras, os riscos de racionamento hídrico e de energia, além da delicada situação fiscal e os desafios do Palácio do Planalto no Congresso, somam-se às preocupações com a Grécia no exterior e reduzem o apetite por risco entre os investidores. 

O dólar à vista abriu o dia em alta de 0,18%, a R$ 2,7850. Por volta das 14h, ele já valia R$ 2,8299 na compra e 2,8314 na venda, com alta de cerca de 1,9%. 

Ontem, a moeda norte-americana fechou no maior patamar ante o real desde 9 de dezembro de 2004, no sétimo avanço em dez sessões. 

No exterior, a moeda dos Estados Unidos ganhou terreno ante os dólares australiano e canadense, os pesos mexicano e chileno, após essas divisas correlacionadas às commodities se fortalecerem, momentaneamente, na esteira da desaceleração da inflação ao consumidor (CPI) chinês para o menor nível em cinco anos em janeiro.

O yuan fechou em alta ante o dólar hoje, diante de novas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) na China, que elevou a demanda pela moeda local. Há pouco, o Banco Central chinês (PBoC) anunciou que vai ampliar a faixa de flexibilidade do yuan ante o dólar e disse que vai tomar medidas para reduzir custos de financiamento, além de ampliar a supervisão do mercado interbancário e do setor bancário paralelo. Em relatório, a autoridade monetária chinesa afirmou que as perspectivas para a inflação do país não são estáveis e que a economia está enfrentando pressões negativas cada vez maiores.

A perspectiva de mais mudanças na segunda maior economia do mundo possibilitou uma melhora entre as bolsas europeias e os índices futuros em Nova York, que até então eram pressionadas pela Grécia. O impasse com os credores internacionais inquieta os mercados financeiros, diante dos riscos de contágio em outras economias periféricas e também do precedente que pode causar na Europa, fazendo com que outros países deixem de buscar medidas duras de austeridade. A proximidade do fim do prazo do atual programa de ajuda financeira a Atenas, no dia 28 deste mês, e a insistência do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em buscar um empréstimo-ponte para sustentar as contas públicas até junho elevam a ansiedade quanto a uma saída (ou não) do país mediterrâneo da união monetária, o chamado 'grexit'.

Revista Época Negócios