Warren Buffett comemora valorização recorde de ações e ganhos de US$ 18,3 bi da Berkshire Hathaway

By | 28/02/2015
Warren Buffett (Foto: Getty Images)

Warren Buffett, considerado o terceiro homem mais rico do mundo pela Forbes, lançou neste sábado a carta anual de sua empresa, Berkshire Hathaway, aos acionistas. Na carta, o bilionário de 84 anos analisou os seus negócios, refletindo sobre os 50 anos da empresa que ele comprou em 1962 e transformou em uma das maiores do mundo. O documento é famoso porque, além das questões financeiras, Buffett sempre traz pensamentos, notas e expôe um pouco da sabedoria que o fez famoso, bilionário e uma das pessoas mais admiradas no mundo dos negócios. Neste ano, a principal conquista é com relação ao preço das ações, detalhe que ele inclui pela primeira vez para analisar a evolução em 50 anos. E os resultados são mesmo digno de nota. A Berkshire Hathaway bateu recorde no preço das ações, que em perspectiva, tiveram uma valorização de 1.826,163%, ou seja, 19,4% por ano. 

As ações tiveram valorização de 8,3% em 2014 e fecharam dezembro valendo US$ 146,186. Lá em 1962, as ações valiam US$ 19. Mesmo Buffett sempre dizendo que o valor intríseco de uma companhia não poderia ser diretamente traduzido no preço de suas ações, nesta carta, o investidor e seu sócio, Charlie Munger, enfatizam que a premissa é verdade. Em 2014, os ganhos totais da empresa foram da ordem de US$ 18,3 bilhões.

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Os sócios também mostraram que o grupo de cinco empresas da Berkshire, formado por Berkshire Hathaway Energy (antiga MidAmerican Energy), BNSF, IMC, Lubrizol e Marmon – chamado de "Powerhouse Five" – tiveram lucro, antes de impostos, de US$ 12,4 bilhões. O valor é US$ 1,6 do lucro obtido em 2013. Se a economia dos Estados Unidos continuar se recuperando, Buffett acredita que o resultado será ainda melhor neste ano. Segundo ele, as companhias dos grupo gastaram US$ 15 bilhões em 2015 em fábricas e equipamentos, sendo que 90% desse montante foi gasto dentro dos EUA. 

Com relação à empregos, o investidor afirmou que a Berkshire fechou 2014 batendo recorde de funcionários: todas as empresas do grupo somam 340,499 mil funcionários, o que representou quase 10 mil empregos gerados em 2014. Apesar disso, em tom humorado, ele disse que em Omaha, sede da empresa conhecida também por simplicidade, o número manteve-se igual: 25 pessoas. "Não há sentido em ficar louco". 

Apesar dos bons resultados, ele afirmou que a companhia chegou a um nível tão alto, em termos de resultado e performances, que não será possível manter o mesmo ritmo de crescimento dos últimos 50 anos. "A notícia ruim é que os retornos de longo prazo da Berkshire – medidos por porcentagem e não dólares – não será perto do que conquistamos no meio século passado. Os números tornaram-se tão grandes e eu acredito que a performance alta da Bershire, que é a nossa grande vantagem, pode não ser mais no futuro", afirmou. 

A precaução de Buffett, no entanto, pode ser um tanto prematura – pelo menos no curto prazo. Os resultados mostram que o otimismo é de fato algo que Berkshire pode ter. Em 2014, mais uma vez, a perfomance das ações da empresa cresceu 27% no índice S&P 500, cujo crescimento médio somado de todas as 500 empresas foi de 13,7%. 

 

 

Revista Época Negócios