Vitória na Grécia ressoa em toda a Europa

By | 26/01/2015

Atenas. O partido de esquerda radical Syriza venceu ontem as eleições legislativas na Grécia, realizadas para formar um novo governo no país, tornando-se o primeiro partido contra medidas de austeridade a assumir o poder na Zona do Euro.

Com 70% dos votos apurados, o Syriza havia conquistado 149 das 300 cadeiras do Parlamento. O segundo colocado, o centro-direita Nova Democracia, do atual primeiro-ministro Antonis Samaras, obteve 77.

O Syriza precisava de apenas mais duas cadeiras para governar sozinho, caso contrário, terá de negociar coalizão com legendas menores.

Grécia faz história

O partido, uma união feita em 2004 de várias tendências de esquerda, transformará em primeiro-ministro Alexis Tsipras, político de 40 anos que fez campanha criticando credores e prometendo resgatar a "dignidade" da Grécia. No discurso em Atenas, , ele mandou um recado para a Europa: a "troica", o programa de recuperação dos países em crise baseado em medidas de austeridade fiscal, ficou no "passado".

"A população grega fez história e deixou para trás cinco anos de humilhação e sofrimento. Vamos recuperar nossa soberania, com propostas de negociação", disse o líder de esquerda.

O resultado é um marco na história: um partido de esquerda radical assume o poder pela primeira vez em quase 200 anos de existência do Estado moderno grego. Se a esquerda comemora, por outro lado as principais lideranças europeias assistem com apreensão à vitória de um partido que defende o perdão de 50% da dívida pública, hoje em torno de 320 bilhões de euros (175% do PIB), e uma moratória temporária do restante.

Incerteza econômica

O seu programa promete benefícios sociais para os gregos, como energia de graça para 300 mil deles, moradias populares e extinção de impostos.

"A eleição na Grécia aumentará a incerteza econômica em toda a Europa", declarou ontem o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

O Syriza assusta as potências da União Europeia porque pode romper compromissos financeiros firmados pelo país dentro do bloco e impactar as contas públicas da já frágil economia grega.

O que ocorreu nas urnas deve não só representar uma nova era nas relações da Grécia dentro da União Europeia como estimular movimentos parecidos em lugares como a Espanha, onde cresce a atuação do Podemos, partido criado em 2014 sob diretrizes antiausteridade.

A permanência na Zona do Euro certamente será tema de discussão daqui para frente, embora o partido venha negando a intenção de abandonar a adoção de moeda única.

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