Varejo vai deixar de vender, diz CNC

By | 09/02/2015

São Paulo O aumento das tarifas deve tirar R$ 6,5 bilhões de vendas do comércio neste ano, apontam as projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Com isso, a concorrência entre os segmentos do varejo, especialmente aqueles dependentes de crédito e que tiveram o imposto sobre os financiamentos elevados, como eletrodomésticos e viagens, deve se acirrar.

"Existe uma forte relação entre os preços administrados e os altos e baixos de vendas do varejo", afirma Fabio Bentes, economista da CNC. Segundo ele, os períodos de desaceleração de vendas no varejo coincidem com as fases de aumentos de preços administrados, quadro que se desenha para este ano.

A coincidência da alta das tarifas com a desaceleração nas vendas é explicada pela queda na renda disponível, aquilo que sobra no bolso do brasileiro depois de ele gastar com itens de consumo obrigatório.

Estimativa

Para calcular quanto o comércio vai deixar de vender neste ano por causa do tarifaço, o economista da CNC considerou a alta de preços administrados de 9,3% esperada para 2015, que consta na última ata da reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central.

Ele explica que a expectativa inicial era que o comércio varejista restrito, que não inclui veículos e materiais de construção, crescesse 3% neste ano. Mas, por causa do tarifaço, os cálculos foram refeitos. A projeção é de um acréscimo de 2,5%.

Como as vendas do varejo restrito somaram R$ 1,32 trilhão em 2014, a perda de 0,5 ponto percentual corresponde a R$ 6,5 bilhões que deixarão de ser embolsados pelas lojas. "O setor mais afetado deve ser o de bens duráveis, que foi o motor do varejo em sua fase de ouro", afirma. Entre 2005 e 2012, o volume de vendas de bens duráveis, que inclui eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, por exemplo, cresceu 13,9% ao ano, enquanto comércio em geral avançou 8%.

Comércio confiante

Romeu Zema Neto, diretor-geral das Lojas Zema, rede varejista de eletroeletrônicos e móveis, acredita que não será afetado pela restrição na renda da população. "Já passamos por conjunturas mais complicadas", diz.

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