UE pode desmoronar, advertem líderes

By | 22/01/2016

Davos. A União Europeia (UE) poderia desmoronar caso os Estados-membros não cheguem a um acordo para lidar com a crise dos refugiados e os desafios de segurança durante os próximos meses, alertaram, ontem, os líderes que estão reunidos no resort suíço de Davos.

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Um dia após a Áustria anunciar uma redução formal no número de refugiados cuja entrada permitiria neste ano, elevando a pressão sobre a chanceler alemã Angela Merkel para fazer o mesmo, os principais políticos da Europa defenderam um acordo no qual os Estados aceitariam cotas de refugiados.

Mas eles admitiram que tal acordo se manteve ilusório, com muitos países, incluindo grande parte da Europa central, se recusando a aceitar qualquer imigrante. "Não sou ingênuo", disse o primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven.

"Meu argumento para os países que não estão dispostos a aceitar os refugiados é que, se não podemos lidar com isso, a União Europeia estará em risco. Se não podemos fazê-lo há um risco para Schengen", disse ele, referindo-se à zona de livre circulação na Europa.

Lofven e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disseram que a Europa tinha de seis a oito semanas para encontrar uma solução. Caso contrário, o fechamento de fronteiras poderia enfraquecer a livre circulação, um dos princípios fundamentais da União Europeia, atingindo o comércio e levantando questões sobre o futuro do bloco, já ameaçado por um referendo britânico iminente sobre a permanência da Grã-Bretanha no bloco.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que a crise dos refugiados e o desafio da segurança na Europa representam ameaças existenciais. "O projeto europeu pode morrer, não em décadas ou anos, mas muito rápido, se não formos capazes de enfrentar o desafio da segurança", disse Valls à plateia em Davos, dois meses depois dos ataques de radicais em Paris, que mataram 130 pessoas.

Investimento

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse que a União Europeia terá de investir bilhões para lidar com a crise de refugiados que enfrenta ao longo do último ano. A autoridade alemã indicou seu forte apoio aos esforços para lidar com a questão nos países de passagem dos candidatos a asilo, como Grécia e Itália.

Schäuble não respondeu, porém, a questão sobre quantos novos refugiados a Alemanha pode aceitar neste ano. O ministro disse que seria uma "desgraça" se a Europa se tornasse uma fortaleza para barrar os imigrantes.

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, cujo país detém a presidência rotativa da União Europeia, disse que a Europa precisa elaborar uma estratégia abrangente nos próximos dois meses para lidar com a crise de refugiados.

Rutte disse que ninguém estava sugerindo o fim do Acordo de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas dentro das fronteiras dos países da UE.

O governo grego vai exigir que todos os refugiados que chegam ao país pedindo asilo para a União Europeia informem o seu destino final. A medida também foi adotada por Eslovênia e Macedônia, na tentativa de colocar ordem sobre os fluxos migratórios no continente.

"Desde quinta-feira, aqueles que querem pedir asilo terão que informar seu destino final para poder cruzar a fronteira, e isto ficará registrado nos documentos oficiais", disse uma autoridade grega. "Aqueles que se recusarem a declarar onde pretendem pedir asilo não terão permissão para sair do país".

Saída de bloco

Vários líderes europeus mostraram, ontem, em Davos, sua determinação em evitar que a Grã-Bretanha abandone a UE, enquanto o premiê David Cameron reafirmou seu desejo de conseguir um bom acordo com seus sócios, afirmando que, caso não o consiga, não terá pressa.

"Temos que fazer tudo o que for possível para que a Grã-Bretanha e o povo britânico continuem na UE, evidentemente não a qualquer preço", declarou Manuel Valls.

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