Três diretorias da Petrobras revertiam propina para o PT, afirma delator

By | 14/02/2015

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012, Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, afirmou nesta sexta-feira (13), em depoimento prestado ao juiz federal de Curitiba (PR) Sergio Moro, que propina relativa a três diretorias da Petrobras era direcionada "para o PT".

Costa afirmou que as diretorias de Serviços, Exploração e Produção e Gás e Energia eram controladas por nomes indicados pelo PT e o partido era beneficiado com o pagamento de propina, pelas empreiteiras, sobre o valor de cada contrato fechado nessas áreas.

"Então normalmente a área de Abastecimento ficava com 1% do valor do contrato e 2% ficavam para a área de Serviços e eram indicados –posso falar em nome de partidos?– eram indicados para o PT. Na área de Exploração e Produção, que era o diretor do PT, e a Área de Serviços que era do PT, os valores iam todos para o PT. Na área de Gás e Energia, idem. Então isso era feito dessa maneira", disse Costa, que foi ouvido na condição de testemunha do Ministério Público Federal na ação penal movida contra o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró e o lobista Fernando Soares, dentre outros.

"Essas empresas do cartel formaram, vamos dizer, esses consórcios aí –normalmente trabalhavam de forma consorciada– e pagavam valores para serem distribuídos aos partidos políticos, para serem distribuídos para os operadores e para serem distribuídos para os diretores da Petrobras, alguns diretores da Petrobras", repetiu o ex-diretor.

O ex-diretor revelou que o PMDB também passou a receber a propina obtida por sua diretoria, a de Abastecimento, "por volta de 2006, 2007", em conjunto com o Partido Progressista (PP). "O PMDB me apoiou junto com o PP, de comum acordo entre os dois partidos, e teve um período que o PMDB também recebia", afirmou.

Segundo Costa, o PMDB o ajudou, com apoio político, a mantê-lo no cargo.

"Eu tive um problema muito sério de saúde no final de 2006, praticamente quase parei de trabalhar e muitas pessoas ficaram de olho no meu lugar. Quando eu voltei o PMDB também começou a me apoiar", disse.

Costa afirmou ainda que o apoio dos partidos aos diretores era "sempre" revertido na obtenção de recursos pelos partidos.

"Não se chega, ou não se chegava, a diretor da Petrobras sem apoio político e nenhum partido dá apoio político só pelos belos olhos daquela pessoa ou pela capacidade técnica. Sempre tem que ter alguma coisa em troca", afirmou o ex-diretor.

Indagado pelo juiz Sergio Moro se os diretores da petroleira recebiam propina, Costa mencionou ele próprio e o ex-diretor de Serviços Renato Duque, indicado pelo PT. Costa não fez acusação do gênero aos ex-diretores de Exploração e Produção, Guilherme Estrela, e de Gás e Energia, Ildo Sauer e Graça Foster. O ex-gerente de engenharia da Petrobras Pedro Barusco, também em delação premiada, havia isentado esses ex-diretores, dizendo não ter conhecimento de que eles recebessem vantagens indevidas.

No seu depoimento, Paulo Roberto Costa também afirmou que propina era paga sobre contratos fechados com as empreiteiras de construção civil que integravam um "cartel". Assim, segundo ele, o cálculo de 1% ou 3% sobre o valor das obras, que ele mencionou em outros depoimentos, não pode ser estendido a todos os contratos na petroleira.

"Isso aí [propina de 1% a 3%] eram as empresas que pertenciam ao cartel das empresas de construção. Hoje, quando se fala de Petrobras, que teve prejuízos de 88 bilhões de dólares, mencionam que eu tinha falado que era de 3% em cima de contratos. Petrobras tinha milhares de contratos. Os contratos que tinham problema de propina foram os contratos das empresas do cartel. E eu listei lá talvez 12 ou 15 empresas do cartel. Se olhar o número de empresas que trabalham com a Petrobras, são centenas de empresas que trabalham com a Petrobras. Então há um equívoco gigantesco nesses números que se falam aí", disse o delator.

Procurado nesta sexta-feira, a assessoria do PMDB informou que o partido "nega veementemente" as acusações. O PT afirmou, em nota, que a Secretaria de Finanças do partido "reitera que todas as doações que o Partido dos Trabalhadores recebe são feitas na forma da lei e declaradas à Justiça".

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