Tensão no Oriente Médio cresce com decisão saudita de cortar laços com Irã

By | 04/01/2016
Fumaça na embaixada da Arábia Saudita em Teerã, após ataque de manifestantes (Foto: Mehdi Ghasemi/ISNA/TIMA/REUTERS)

O Irã acusou a Arábia Saudita nesta segunda-feira (4) de usar um ataque à embaixada saudita em Teerã como pretexto para cortar as relações com o país, em uma crise diplomática que aprofunda a disputa, às vezes violenta, entre os dois países por maior influência no Oriente Médio.

O governo saudita cortou as relações com o Irã no domingo, e o também sunita Barein adotou a mesma medida nesta segunda, dois dias após manifestantes iranianos invadirem a embaixada da Arábia Saudita na capital iraniana em protesto contra a execução por Riad de um proeminente clérigo muçulmano xiita.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram uma redução nos laços com o Irã, à medida que a disputa entre as duas principais potências sunita e xiita se espalhou pela região, provocando uma alta no preço do petróleo e ameaçando aumentar as disputas sectárias no Oriente Médio.

Um homem foi morto a tiros no leste da Arábia Saudita no domingo à noite quando as forças de segurança foram alvo de disparos, e duas mesquitas sunitas na província iraquiana de Hilla, de maioria xiita, foram alvo de bombas.

O Sudão também anunciou o rompimento das relações com o Irã.

Após uma resposta furiosa de comunidades xiitas espalhadas pelo mundo à execução pelo reino sunita do clérigo xiita Nimr al-Nimr, o chanceler saudita, Adel al-Jubeir, acusou o Irã de criar "células terroristas" entre as minorias xiitas na Arábia Saudita.

O Irã rebateu afirmando que Riad usou o incidente na embaixada e um ataque similar a seu consulado na cidade iraniana de Mashhad como "desculpa" para elevar as tensões.

O preço do petróleo chegou a subir quase 2% nesta segunda-feira (4), ignorando dados econômicos fracos na Ásia, à medida que as duas potências exportadoras de petróleo trocaram insultos e as tensões chegaram a outros produtores da commodity, como o Iraque.

Os mercados acionários da região do Golfo Pérsico caíram fortemente, liderados pelo Catar, com queda de mais de 2,5%, uma vez que as preocupações geopolíticas ofuscaram qualquer benefício do petróleo mais forte.

A China, grande importadora de petróleo, declarou estar "bastante preocupada" com os acontecimentos, em uma rara intervenção na diplomacia do Oriente Médio. Os Estados Unidos, a França e a Alemanha pediram por calma, enquanto a Rússia se ofereceu para mediar a disputa.

A Arábia Saudita executou Nimr e outros três xiitas acusados de terrorismo no sábado, ao lado de dezenas de jihadistas sunitas. O xiita Irã exaltou o clérigo como um "mártir" e advertiu a família Al Saud, que governa a Arábia Saudita, sobre uma "vingança divina".

Grupos xiitas se uniram na condenação à Arábia Saudita, enquanto potências sunitas apoiaram o reino, ampliando uma divisão sectária que tem destruído comunidades em todo o Oriente Médio e alimentado a ideologia jihadista do Estado Islâmico.

(Por Sam Wilkin, com rportagem adicional de Katie Paul, Noah Browning e Tom Perry, em Beirute, e Maher Chmaytelli em Bagdá)

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