STF arquiva inquérito sobre suposta propina a senador Randolfe

By | 04/01/2016

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou o arquivamento de inquérito contra o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no caso em que foi acusado pelo delator Carlos Alexandre de Souza Rocha de recebimento de propina.

Teori seguiu entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia opinado pelo arquivamento, depois de uma contradição entre o depoimento de Rocha, conhecido como Ceará, e de outro delator na Lava-Jato.

A decisão de Teori pelo arquivamento é de 9 de dezembro do ano passado, antes mesmo de terem sido tornados públicos os depoimentos de Ceará e antes do recesso do Judiciário.

Rocha atuava como transportador de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef, também delator na operação. Rocha havia dito que ouviu comentário do doleiro de que Randolfe recebeu R$ 200 mil de propina. A PGR, porém, reinquiriu Youssef sobre o caso e o doleiro negou ter tido esse diálogo.

"Procurou-se obter esclarecimentos sobre a situação perante Alberto Youssef, que também celebrou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. O doleiro, que teria efetuado o repasse de valores ilícitos ao parlamentar e haveria sido a fonte da informação fornecida por Carlos Alexandre de Souza Rocha, negou ambos os fatos", escreveu a PGR.

Youssef declarou aos investigadores que nunca teve a conversa relatada e que nem conhece Randolfe.

"Nunca entregou dinheiro a Randolfe Rodrigues; que nunca falou sobre a entrega de valores a Randolfe Rodrigues para Ceará ou para qualquer outra pessoa", diz trecho de seu depoimento, transcrito na decisão de Teori.

"Os elementos indiciários colhidos até o momento não são suficientes para indicar de modo concreto e objetivo a materialidade e a autoria delitivas", escreveu o ministro Teori, em sua decisão.

Quando foi divulgado o depoimento de Ceará, o senador Randolfe declarou que "alguns porcos querem levar todos para o chiqueiro deles, mas eu estou fora dessa lama".

Ceará também citou pagamentos a outros políticos, como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que negam terem recebido dinheiro. Não há informações se foram abertos inquéritos para investigar esses fatos.

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