Sem uma reforma, Novo Mercado pode ficar caduco, diz presidente da CVM

By | 12/06/2015
Leonardo Pereira, presidente da CVM (Foto: OGlobo)

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, disse, nesta quinta-feira (11/06) durante abertura de evento sobre governança corporativa, em São Paulo, que o momento parece ideal para se iniciar uma discussão sobre reforma do Novo Mercado, que é o segmento da bolsa brasileira com as mais altas exigências de governança. "Chegou a hora de dar um passo à frente e discutir realmente uma reforma no Novo Mercado, ou ele poderá ficar caduco", disse Pereira.

Segundo ele, o segmento, quando criado, há 15 anos, mudou significativamente o mercado brasileiro, colocando o país até mesmo à frente de outros no quesito de governança corporativa, mas após esse evento houve uma certa acomodação. "Fizemos um avanço tão grande e se tomou uma posição de que não se precisa fazer tanta coisa", afirmou o presidente da autarquia, dizendo que por conta disso o Brasil pode ter ficado para trás.

Uma discussão em torno do Novo Mercado ganhou muita força recentemente, diante da saída do Novo Mercado da rede de laboratórios Dasa, aprovada nesta semana. A facilidade da empresa listada no Novo Mercado sair do segmento vem sendo questionada por minoritários. Diferente de ofertas públicas de aquisição (OPA) para fechamento de capital, por exemplo, para a OPA para a saída de segmentos de governança não é exigido um quórum para aprovação, além de ser permitido o voto do controlador.

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, por exemplo, que possui 10% do capital social da Dasa, está questionando o fato da Cromossomo, veículo que controla a Dasa, ter votado na Assembleia que aprovou a retirada da companhia do Novo Mercado. Outro ponto que vem sendo levantado no mercado é se eventos como a saída da Dasa do Novo Mercado poderá gerar questionamentos sobre o segmento, cuja criação foi um marco no sentido de trazer credibilidade para as empresas que buscavam captação na bolsa, em especial aos olhos dos investidores estrangeiros, que até então eram muito reticentes em investir diretamente na bolsa brasileira.

Revista Época Negócios