Segundo doleiro, Collor teria recebido R$ 3 milhões em propina

By | 24/02/2015

De acordo com matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o doleiro Alberto Youssef teria afirmado em depoimento dado entre outubro e novembro de 2014 que o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) recebeu propina no valor de R$ 3 milhões de negócio da BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras. As declarações foram dadas a procuradores que investigam esquema de corrupção na estatal através da Operação Lava Jato.

O negócio, de acordo com Youssef, foi intermediado pelo empresário e consultor do setor de energia Pedro Paulo Leoni Ramos, um emissário de Collor e do PTB. Este, que seria o operador do esquema, intermediou o suborno.

Amigo pessoal do senador desde a juventude, Ramos foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo de Collor (1990-1992) e é dono da GPI Participações e Investimentos, empresa de consultoria que fazia negócios com Youssef.

O valor da propina entregue a Collor dizia respeito a 1% de um contrato de RS 300 milhões, equivalente a R$ 3 milhões, assinado em 2012 entre a BR Distribuidora e uma rede de postos de combustíveis em São Paulo. A intenção era que esta rede deixasse uma marca de combustíveis para passar a integrar o grupo de revendedores da BR Distribuidora.

Geralmente, nos contratos regulares, o incentivo é dado pela empresa para que o posto mude de bandeira e possa financiar obras e melhorias na rede.

Ainda segundo o Alberto Youssef, o dinheiro vivo foi arrecadado  nos postos, em três parcelas de R$ 1 milhão para depois ser repassado a Ramos, que seria o responsável por entregá-lo a Collor. Porém, o doleiro não relatou como o dinheiro teria chegado ao ex-presidente, nem apontou outros nomes de envolvidos.

Outro depoimento de Youssef sobre Collor foi concedido neste mês à Procuradoria-Geral da República e em outra declaração afirmou que mandou entregar, em maio de 2013, R$ 50 mil em dinheiro vivo no apartamento de Collor em São Paulo, cuja entrega teria sido feita por Rafael Ângulo Lopes, um dos emissários do doleiro.

A assessoria de Fernando Collor afirmou à reportagem que o senador estava em voo e não poderia ser contatado. Porém, ele teria negado anteriormente qualquer relação com o doleiro ou recebimento de propina. Ainda assim, admitiu ser amigo de Pedro Paulo Leoni Ramos

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