Ricardo Bacelar e Jacinta esquentam Guará com muito jazz

By | 17/02/2015

No penúltimo dia do evento, o Festival Jazz & Blues pode, finalmente, orgulhar-se do frio serrano. Uma frente fria encobriu a serra durante todo o dia, fazendo a noite de apresentações propícia a músicas quentes. O pianista cearense Ricardo Bacelar entendeu o recado, levando ao público um jazz cheio de swing, caloroso e acessível.

“Nem sempre consigo me dedicar a apresentações, então, quando posso, tendo a reunir as músicas que mais gosto e também os amigos queridos, para fazer disso uma celebração mesmo, um momento especial”, afirmou Ricardo Bacelar, que também se dedica à advocacia, sendo o atual vice-presidente da OAB-CE. O pianista costuma fazer poucos shows e, por isso, quando recebeu o convite do festival, dedicou-se a uma pesquisa pelos sons que lhe agradavam na adolescência, como Egberto Gismonti, Pat Metheny, Tom Jobim e Ivan Lins

Para acompanhá-lo, nada menos do que nomes de peso da música local, como Luizinho Duarte e Miquéias dos Santos, da Marimbanda; o casal Maria Helena Lage, aos teclados, e Marcus Vinicius Cardoso, ao violino e viola; além de Hoto Júnior, na percussão; Ronaldo Pessoa na guitarra e violão; e Marcos Resende comandando os instrumentos de sopro – sax tenor, flauta e soprano.

Emocionado, o pianista agradeceu diversas vezes a presença de familiares e amigos, que subiram a serra para prestigiá-lo. Entre eles, sua esposa Manoela Queiroz, e suas filhas Maria e Sara. Destaca-se ainda a presença da empresária Yolanda Queiroz, mãe de sua esposa, que apreciava a música do genro ao lado de filhos e netos.

Jazz lusitano

Logo após, subiu ao palco a cantor portuguesa Jacinta. Sua voz encorpada e sem sotaques ao executar músicas brasileiras chamou a atenção da plateia. Nas faixas iniciais de seu repertório, cantou “Luiza”, de Tom Jobim, e a justificou: “Quando fui à Nova York, achavam que eu era daqui. ‘Ora, uma cantora que fala português, é brasileira’, pensavam. Então, sempre me chamavam para cantar bossa-nova. E eu adorava”. Em seu setlist, incluiu ainda “Retrato em Preto e branco”, de Tom Jobim e Chico Buarque, e “Aquele Um”, de Djavan.

Seguindo, de certo modo, um método didático, Jacinta dividiu sua apresentação em blocos de três canções, conversando com o público entre eles. Das 12 músicas, destaque para a releitura de “Georgia on my mind”, de Ray Charles.

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