Renan rebate Levy sobre contas: ‘Não foi escorregadinha, foi escorregadão’

By | 26/02/2015
Renan Calheiros, presidente do Senado (Foto: José Cruz / ABr)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), discordou nesta quarta-feira (25/02) publicamente de um comentário feito na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre o equilíbrio das contas públicas brasileiras em evento da Câmara de Comércio Brasil-França, em São Paulo. Renan rebateu Levy, que disse que houve uma "escorregadinha", afirmando que houve um "escorregadão".

"O que parece é que não foi uma escorregadinha, foi um escorregadão. Temos que fazer um ajuste profundo, cortando no setor público, revisando contratos. É essa resposta que o Brasil precisa", afirmou Renan, em entrevista no Senado.

Renan Calheiros foi um dos convidados de um jantar promovido pelo vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com a presença de Joaquim Levy e dos ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do Planejamento, Nelson Barbosa, e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, com lideranças peemedebistas.

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Para o presidente do Senado, o governo precisa realizar cortes no próprio setor público, inclusive em cargos comissionados do Poder Executivo, como ele fez no Legislativo, e mostrar que o ajuste fiscal que pretende fazer tem "começo, meio e fim" para que a sociedade entenda a necessidade das mudanças para reequilibrar as contas do país e retomar o crescimento econômico. Ele disse que é preciso restaurar rapidamente a confiança na economia nacional.

"Acho que é essa confiança que precisamos restaurar no povo brasileiro e nos agentes econômicos para que continuem os investimentos, para que o Brasil volte a ser uma economia que cresce no mundo e volte a gerar empregos", disse.

Assim como tem feito nos últimos dias, o peemedebista voltou a defender que o PMDB assuma um papel de protagonismo na definição das políticas públicas dentro da coalizão do governo. "Não é discutir cargos, espaço, é discutir programas, o que fazer, quais são as prioridades. O papel do PMDB é estabelecer um fundamento para a coalizão", destacou.

Corte de cargos
Em mais um lance do dia em que tem dado uma série de estocadas no Executivo, Calheiros defendeu um "corte temporário" de metade cargos em comissão existentes atualmente no governo Dilma Rousseff. O peemedebista argumenta que o ajuste fiscal anunciado pelo governo é "insuficiente" e cobrou que o setor público também promova cortes.

Renan Calheiros disse que o Senado realizou uma redução de 30% de cargos em comissão e conclamou o governo federal a suspender as nomeações de 50% desses postos durante o período mais agudo da atual crise econômica. Segundo ele, após a economia voltar a crescer e retomar o seu "curso natural", esses cargos voltariam a ser ocupados. Atualmente, existem cerca de 23 mil cargos em comissão no Poder Executivo federal.

"O setor público tem que dar uma demonstração que está pagando parte da conta. Se não houver isso, como você vai exigir da sociedade fazer um sacrifício?", questionou Renan Calheiros. "Aqui no Senado nós fizemos exatamente isso. Gastamos em 2014 menos do que em 2013. Acho que esse é um bom exemplo que poderia ser levado para o ajuste fiscal", completou.

De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais do Ministério do Planejamento de dezembro de 2014, último dado disponível divulgado, existem 22.993 cargos de Direção Assessoramento Superior, os chamados DAS. Esses são os principais cargos distribuídos pelos partidos políticos para apadrinhados em ministérios em Brasília e nos Estados.

O presidente do Senado também defendeu o corte de gastos em contratos no governo federal, assim como ele disse ter feito no Senado durante os dois anos anteriores da sua gestão, e cobrou, mais uma vez, uma participação mais ativa do PMDB na discussão das políticas públicas do governo Dilma. "O PMDB já tem cargos demais. O que precisa ter na coalizão são encargos", afirmou.

Revista Época Negócios