Remédio causou morte cerebral

By | 16/01/2016

Paris. A ministra da Saúde francesa, Marisol Touraine, disse ontem que o medicamento usado em um ensaio clínico na França – que deixou uma pessoa em coma e outras cinco em estado grave – não contém qualquer derivado de cannabis, contrariando informações anteriores. "Não continha cannabis nem qualquer derivado de cannabis", afirmou.

Os testes foram conduzidos por um laboratório privado para a empresa farmacêutica portuguesa Bial, que já indicou que vai emitir um comunicado sobre o assunto.

Anteriormente, uma fonte próxima do laboratório tinha dito que o produto testado é uma molécula com efeitos analgésicos contendo um canabinóide.

Segundo a ministra, no laboratório da empresa Biotrial, em Rennes, oeste da França, o medicamento analgésico foi dado a 90 pessoas que participaram voluntariamente dos ensaios clínicos e que começaram a manifestar sintomas no domingo (10).

Pierre-Gilles Edan, diretor do departamento de neurologia do hospital de Rennes, onde os voluntários foram internados, afirmou que das seis pessoas afetadas, uma está em morte cerebral e outras três sofreram "lesões que poderão ser irreversíveis".

Edan adiantou que os pacientes têm entre 28 e 49 anos e que a primeira vítima a chegar ao serviço, e que se encontra em coma, apresentava sintomas de acidente vascular cerebral.

A ministra francesa disse que se trata de um acidente inédito na França. Ela garantiu que os ensaios clínicos foram interrompidos e ordenou uma inspeção administrativa à "organização, meios e condições de intervenção" do laboratório na realização do ensaio clínico.

O departamento de saúde da Procuradoria de Paris abriu um inquérito e a agência francesa para medicamentos vai fazer uma inspeção técnica no laboratório. A Biotrial afirmou que o ensaio decorreu "de acordo com todas as regras internacionais".

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