PT rejeita ruptura com PMDB, mas Cunha é hostilizado em Congresso petista

By | 13/06/2015
Eduardo Cunha comanda sessão na Câmara (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados/Fotos Públicas)

Em meio às votações de emendas ao texto-base do 5º Congresso do PT, os delegados presentes rechaçaram as propostas de alterar trechos sobre a política de alianças. Neste tópico, permanecerá o texto original proposto pela Carta de Salvador. Foram apresentadas emendas que sugeriram a ruptura com o PMDB, mas elas não prevaleceram nas votações em que delegados levantavam seus crachás. Cerca de 650 delegados, dos 800 do partido participam das votações.

Apesar da vitória para a corrente majoritária, de não impor uma crítica direta à parceria com o principal partido da coalizão governista, houve hostilidades à figura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ouviram-se gritos de "Fora Cunha", em clara insatisfação com o peemedebista que tem, aos olhos dos militantes do PT, imposto uma pauta conservadora no Congresso Nacional.

O vice-presidente Michel Temer, que coordena a articulação política do governo, não foi citado nominalmente, mas durante as exposições de defesa das emendas houve referências a ele. Petistas reclamaram que nem a articulação política é hoje coordenada pelo partido, o que expõe, na visão deles, a fragilidade da coalizão hoje.

Vaias

As votações do texto final que sai do 5º Congresso do PT foram encerradas com vaias dos delegados que queriam apreciar a questão das doações empresariais. A votação para remeter a decisão para a próxima reunião do diretório nacional do partido foi feita por contraste visual dos crachás levantados pelos delegados.

Pelas imagens que são transmitidas pela internet, não ficou claro se havia maioria de cada um dos lados, mas a direção optou por encerrar a questão. O tesoureiro Márcio Macêdo declarou o encontro encerrado e disse que a questão seria remetida ao diretório "sem prejuízo dos debates". Muitos gritaram pedindo votação e houve vaias. Alguns delegados chacoalhavam os crachás no ar em protesto à decisão.

O debate prévio à decisão sobre as doações também foi rápido. Valter Pomar, da corrente Articulação de Esquerda, disse que o Congresso não deveria abrir mão da discussão. "O Congresso tem que reafirmar a posição de não aceitar financiamento empresarial", disse argumentando que a questão era de gravidade e importância. Já o ex-tesoureiro Paulo Ferreira, da CNB, disse que seria um "prejuízo" votar antes de haver uma definição do marco legal sobre o tema.

Em abril, o partido definiu que seus diretórios não recebem doações de empresas e deixou em aberto as doações a candidatos. A Câmara dos Deputados aprovou em primeira votação, nas discussões da reforma política, uma PEC na direção contrária, que veta a doação a campanhas mas libera a partidos. Com isso, o partido se vê pressionado a recuar da decisão. Diretórios estaduais endividados também pressionam por não terem dinheiro em caixa para quitar dívidas de campanha do ano passado.

Revista Época Negócios