Promotor denuncia Cristina Kirchner

By | 14/02/2015

Buenos Aires. O promotor que assumiu o lugar de Alberto Nisman, encontrado morto há quase um mês em seu apartamento, denunciou formalmente à Justiça a presidente Cristina Kirchner, o chanceler Héctor Timerman e seus aliados.

Gerardo Pollicita encaminhou o pedido ontem, afirmando que apresenta as mesmas provas levantadas pelo antecessor Alberto Nisman. Antes mesmo de a denúncia chegar à Justiça, o governo reagiu. No início da manhã, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Capitanich, acusou o judiciário de "golpismo" contra a presidente.

O ministro voltou a desqualificar a denúncia de Nisman, afirmando que a Argentina não teria se beneficiado com um suposto acordo com o Irã. Nisman acusava a presidente e aliados de conspirarem para tentar proteger supostos terroristas iranianos, responsáveis pelo atentado à entidade judaica Amia, em 1994. Em troca, a Argentina poderia exportar grãos e importar petróleo do país.

Além dos integrantes do governo, Pollicita também denunciou o ex-sindicalista Luis D’Elia e o deputado kirchnerista André Larro, que seriam interlocutores informais do governo argentino com os iranianos.

Fim da ‘politização’

A investigação sobre a morte de Nisman se tornou muito politizada e precisa do envolvimento de uma comissão regional de direitos humanos, disse a ex-mulher dele anteontem.

Minutos antes de o Senado aprovar um projeto de lei criando um novo serviço de segurança estatal para substituir o desmantelado Secretariado de Inteligência que está no centro do escândalo, Sandra Arroyo pediu calma enquanto investigadores apuram a morte de Nisman.

"Não continue politizando um caso sobre o qual há muita coisa ainda sem resolver", disse ela a um grupo de senadores da oposição. "No meu próprio nome e no de minhas filhas, peço ao gabinete dos promotores públicos nacionais que considerem… A possibilidade de levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos", disse. A comissão de sete membros, um braço da Organização dos Estados Americanos, lida com casos de direitos humanos.

O corpo de Nisman foi encontrado no banheiro em 18 de janeiro com ferimentos de bala na cabeça e uma arma ao lado. Ele deveria apresentar o caso ao Congresso Nacional no dia seguinte, acusando a presidente.

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