Projeto de reúso de água requer R$ 600 mi, diz Camilo

By | 30/06/2015

O governador Camilo Santana afirmou, ontem, que R$ 600 milhões devem ser investidos, pela iniciativa privada, na construção de um projeto de reúso de água de esgoto para atender à Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). A ideia do chefe do executivo estadual é que o programa seja realizado, por meio de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com participação da Cagece.

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Em entrevista ao programa Paulo Oliveira, na Rádio Verdes Mares, Camilo lembrou que a siderúrgica necessita de água e, para não ser abastecida pelo Castanhão, é necessário que projetos como o do reúso sejam postos em prática. "A siderúrgica usa água, essa água que vem do Castanhão e vai até o Complexo Portuário do Pecém para atendê-la. E nós precisamos começar a trabalhar e usar uma água de menor qualidade para a indústria. Deixar a água boa para beber, para os usos domésticos e humano", ressalta.

A verba do investimento será empregada para tratar o esgoto de Fortaleza e canalizar a água até o Complexo Portuário do Pecém. "Vamos ter que fazer uma adutora fechada e uma estação de tratamento grande lá. Você faz um pré-tratamento aqui e leva para lá. O que não for para o Cipp (Complexo Industrial e Portuário do Pecém), vai para a emissão", esclarece o governador. Ele também adiantou que o programa deve atender à termelétrica. "A termelétrica utiliza atualmente 0,8 metros cúbicos por segundo e vai reduzir para 0,6", comentou Camilo.

Modelo

O chefe do executivo estadual destacou que o modelo de reúso ainda está sendo analisado. Segundo ele, há a opção de ser feito por dentro do mar ou por fora, mas esta última teria que "quebrar a cidade toda".

"Todo o esgoto de Fortaleza é tratado ali na estação Leste-Oeste e é jogado, depois de tratado, na área oceânica. Nossa ideia é, depois que ele passar pelo primeiro tratamento, canalizar até o Pecém e reutilizar", explicou o governador.

Dessalinização

Camilo reforça que outras alternativas também estão sendo estudadas. A dessalinização aparece como opção, no entanto, a técnica pede mais investimentos. De acordo com o gestor, o problema desse processo é que a tecnologia empregada em grande volume ainda é muito cara.

"Dessalinização de pequena quantidade a gente tem, bota ali no Interior, cava um poço de água salgada e bota o dessalinizador. Mas, para fazer uma grande quantidade para atender uma cidade, à demanda de uma siderúrgica ainda é uma tecnologia muito cara", observou.

Um exemplo do uso do processo de dessalinização é o que ocorre na Califórnia, nos Estados Unidos. O governador revela que eles estão investindo na alternativa e construindo grandes usinas, pois não têm mais como transportar dos canais. Por isso, a alternativa encontrada foi recorrer à água do mar.

Otimismo com o hub

O governador também está otimista que Fortaleza receberá o hub da TAM. Durante a entrevista de ontem, Camilo afirmou: "é uma luta muito grande nossa. Estou empolgado, estou otimista". O chefe do executivo estadual complementou que a administração está em negociação também com o governo federal para que todas as exigências da companhia aérea sejam garantidas. Camilo esclarece que, quando soube do interesse da TAM em instalar um centro de conexão no Nordeste, sua primeira atitude foi entrar em contato com a presidente da companhia, Claudia Sender.

De acordo com o governador, um dos itens solicitados foi que o Aeroporto Internacional Pinto Martins entrasse no programa de concessões do governo federal.

Após o encontro com Sender, o chefe do executivo estadual conta que se reuniu com Dilma Rousseff. Segundo ele, foi solicitado à presidente que esta incluísse o terminal de Fortaleza no pacote de concessões, o que foi garantido por ela. Camilo diz que alegou que "já foi coisa demais para Pernambuco".

Com as concessões, o aeroporto da Capital cearense receberá um investimento de R$ 1,8 bilhão. Conforme Camilo, isso foi um ponto positivo o qual coloca Fortaleza à frente de Recife. O hub é ainda defendido pelo gestor devido ao incremento que deve proporcionar ao Estado. "Isso significa em torno de 10 mil novos empregos diretos e indiretos, investimento na ordem de R$ 3 bilhões, podendo chegar a R$ 4 bi. Isso mexe na economia da cidade", detalha.

Imposto para a saúde

Em relação à tributação, o governador afirmou que não defende a volta da CPMF, mas a criação de uma contribuição social, a qual seria paga por quem recebe acima de 15 salários mínimos. De acordo com ele, 5% da população brasileira se enquadram neste perfil. "Minha ideia é quem contribuísse para a saúde brasileira fosse os mais ricos. Os ricos ajudassem a manter a saúde pública, que mais de 80% da população cearense precisa", esclareceu.

O governo precisa de outra fonte de recurso, por isso, Camilo defende a contribuição. "O Estado é obrigado a gastar 12% e, ano passado, gastamos 16%. Os municípios são obrigados a gastar 15% da sua receita corrente líquida e estão gastando 20,25%. Fortaleza custeou 26% ano passado. A União não tem obrigatoriedade do percentual, ela banca o que ela quiser. Então, ou precisava definir um percentual obrigatório para a União, ou precisava ter uma outra fonte de financiamento", concluiu o governador.

Nayana Siebra
Repórter

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