Projeção de inflação sobe para 7,27%

By | 19/02/2015

Brasília. O mercado financeiro vê ainda mais distante do que antes a possibilidade de cumprimento da meta de inflação de 4,5% em 2015. A piora das expectativas para os indicadores de preços pode ser constatada em diferentes variáveis para diferentes períodos levantados pelo Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem (18) pelo Banco Central (BC).

De acordo com o documento, a mediana das previsões para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano subiu de 7,15% para 7,27%. Há um mês, a mediana estava em 6,67%

Também no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas ouvidos pelo BC que mais acertam as previsões, a mediana segue acima da banda superior da meta. Entre a semana passada e esta, a projeção ficou estável em 7,12% para 2015 e em 5,65% para 2016. Quatro semanas atrás estava, respectivamente, 6,60% e 5,60%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA subiria nos primeiros meses deste ano, mas avaliou que entraria em um período de declínio mais para frente e encerraria 2016 no centro da meta de 4,5%. Apesar desse prognóstico mais positivo para o médio prazo, as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem em nível elevado. Elas, entre a semana anterior e esta, ficaram estáveis em 6,56% – ainda acima do teto da meta de inflação.

As projeções para o curto prazo também continuam em nível elevado na Focus: a taxa para fevereiro de 2015 segue em 1,02%. Um mês antes, essa taxa estava em 0,75%. Para março, a mediana das previsões passou de 0,65% para 0,70%, ante 0,55% de quatro semanas atrás.

Na pesquisa geral, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 foi uma das poucas a não mostrar piora, com a mediana das projeções estáveis em 5,60% pela terceira semana consecutiva – um mês antes, a projeção estava em 5,70%.

Crescimento econômico

O mercado está mais pessimista com o crescimento do País em 2015 e passou a esperar uma recessão. Segundo o boletim Focus, os analistas ouvidos na pesquisa esperavam, até semana passada, estagnação para o Produto Interno Bruto (PIB).

Agora, a expectativa é de uma retração de 0,42%. Para 2016, a estimativa é de recuperação, uma alta de 1,50%, mesmo número projetado na semana anterior. Parte desse desempenho negativo se explica pela piora nas projeções para a indústria, que até semana passada registrava expectativa de produção positiva em 0,44%. Esta semana, no entanto, o quadro virou para pior e a expectativa é de queda de 0,43%.

Juros

Depois de falas do novo diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu, ocorridas na semana passada, as apostas para a próxima reunião do Copom, em 3 e 4 de março, migraram de uma alta de 0,25 ponto porcentual para 0,50 pp. A mediana das projeções dos analistas passou a indicar ainda um ciclo de aperto mais longo.

Antes, as previsões eram de que o movimento do Banco Central seria interrompido em abril. Agora, a expectativa é de que ela chegue a 13% e em outubro tenha início um ciclo de afrouxamento monetário.

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